Desentendimentos sobre a Carreta da Mulher geram polêmica em Correntes
O Governo de Pernambuco encontrou dificuldades para implantar uma unidade da Carreta da Mulher Pernambucana na cidade de Correntes, localizada no Agreste do estado, durante o último fim de semana. A resistência surgiu devido à oposição do prefeito Edmilson da Bahia (PT) aos critérios de atendimento gratuito estabelecidos pelo programa de saúde do estado.
Essa ação faz parte do Programa Cuida PE Mulher, que oferece uma divisão de 50% das vagas para a regulação municipal e os outros 50% para a demanda espontânea.
Em suas redes sociais, o prefeito expressou sua insatisfação, afirmando que a destinação de metade dos atendimentos para a demanda espontânea favoreceria seus opositores, caracterizando uma prática de politicagem. “Em nenhum momento recebemos um ofício solicitando um espaço no centro de Correntes para a realização dos procedimentos nesta carreta, pois quem comanda as ruas do município é o Poder Executivo municipal”, declarou Edmilson. Ele ainda destacou que “classificamos essa ação como uma ação com politicagem no meio”.
O prefeito ressaltou que existe um sistema de regulação que prioriza certas pessoas e que a proposta do estado de ceder apenas 50% das vagas para a regulação do município não era aceitável. “Nós não aceitamos esta parceria”, afirmou ele.
O assunto ganhou mais destaque após a divulgação de um vídeo pela prefeitura na sexta-feira (9), onde o secretário de Saúde de Correntes, Geovanio Silva, expressou a sua desaprovação à carreta. “Só soubemos (da ação) por meio das redes sociais. Isso gerou falta de organização e respeito”, disse o secretário na gravação.
Ele completou: “Não concordo com essa atitude do governo estadual, que, infelizmente, queria apenas usar a máquina do município para sua autopromoção. Por isso, não aceitamos a carreta”.
Apesar das declarações firmes, o prefeito negou que tenha proibido a instalação da carreta no centro da cidade. “Desafio qualquer autoridade a provar que neguei a Carreta da Mulher em Correntes”, afirmou. Edmilson ainda refutou a ideia de que houve a necessidade de intervenção policial, alegando: “Estou prefeito pelo terceiro mandato, tenho meu nome a zelar”. Imagens mostram três viaturas da Polícia Militar estacionadas nas proximidades da carreta.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) se manifestou através de uma nota, afirmando que um ofício foi enviado à gestão municipal, procedimento habitual em todas as localidades. “A atuação da Carreta da Mulher segue um cronograma previamente definido e pactuado com os municípios por meio das Gerências Regionais de Saúde (Geres)”, declarou a secretaria.
O prefeito Edmilson da Bahia é um apoiador do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que é considerado um possível adversário de Raquel Lyra na corrida pelo Governo de Pernambuco em 2026. Nas redes sociais, Edmilson chegou a se referir a Campos como “nosso futuro governador”.
A Carreta da Mulher Pernambucana disponibiliza serviços variados, incluindo exames, consultas e orientações voltadas para a prevenção e a saúde das mulheres. O cronograma prevê que, em janeiro, a carreta atenda localidades como Recife, Correntes, Machados, Lagoa do Ouro e Inajá.
Desde seu lançamento, em maio de 2025, o serviço já contabiliza mais de 63 mil atendimentos em 103 municípios, ressaltando a importância da iniciativa para a saúde feminina no estado.

