Reflexões Sobre o Potencial Econômico do Sul da Bahia
Ao longo da trajetória de desenvolvimento de uma região, é crucial revisar conceitos e práticas, especialmente para aqueles que desejam alcançar resultados consistentes. Muitas vezes, mesmo com boas intenções, ainda há aspectos que precisam ser aprimorados. Como diz uma expressão popular, “relógio que adianta não atrasa”, sugerindo que o importante é avançar com sabedoria e reflexões que se traduzam em ações concretas.
No Sul da Bahia, observamos uma resiliência que merece ser ressaltada. O cultivo de cacau, por exemplo, demonstra sinais positivos de recuperação em termos de qualidade genética, controle sanitário e valores de mercado. O comércio local mantém-se estável, adaptando-se às mudanças e enfrentando desafios com coragem. Além disso, os serviços, especialmente na saúde privada, estão em expansão, com uma equipe qualificada e tecnologia avançada à disposição da população.
Desafios e Oportunidades para o Desenvolvimento Regional
No entanto, é preciso ser realista. A região ainda está aquém de grandes investimentos que poderiam impulsionar seu crescimento. A demografia permanece estável, com indicadores abaixo de outras áreas da Bahia, mesmo com suas terras férteis e abundância de chuvas, além de uma infraestrutura razoável.
Embora contemos com várias instituições de ensino superior, existe uma desconexão entre a academia e o setor produtivo, dificultando a criação de um ambiente econômico mais dinâmico. Além disso, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que já foi um pilar para o desenvolvimento científico na área, agora enfrenta um cenário de desvalorização.
Outro ponto que merece destaque é a indústria de tecnologia da informação instalada em Ilhéus, que, embora tenha contribuído para o crescimento local, não evoluiu conforme o esperado. A falta de um aeroporto internacional também é um fator limitante, atrasando o potencial de expansão do setor tecnológico e da comunicação mais ampla. A construção da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), que deveria ser um vetor de desenvolvimento, enfrenta constantes paralisações, complicadas por questões políticas e econômicas globais.
A Esperança e O Olhar Para o Futuro
Os projetos Fiol e Porto Sul, que deveriam ser sinônimos de esperança e progresso, encontram-se estagnados devido a uma variedade de dificuldades que vão desde a instabilidade financeira no cenário mundial até questões de governança.
Os habitantes da região, acostumados a lidar com adversidades, esperam por mudanças que não dependem apenas de fatores externos ou intervenções divinas. A confiança em representantes políticos muitas vezes é questionada, considerando o histórico de promessas não cumpridas.
Observando o passado, podemos nos inspirar na trajetória dos sergipanos, que há mais de um século transformaram suas cidades afetadas pela seca em prósperas áreas de cultivo de cacau. Enfrentaram desafios semelhantes e, com determinação, construíram a infraestrutura que possibilitou a prosperidade da região. A economia cacaueira sergipana cresceu de forma notável, com um mercado que valorizava os produtores desde o início, em contrapartida ao que se observa em outras atividades agrícolas, onde o pagamento muitas vezes só ocorre após longos períodos.
Aprendizados e Caminhos para o Futuro
Como descendentes dos sergipanos, muitos sul-baianos frequentam as terras sergipanas, estabelecendo laços e trocando experiências. A transformação que ocorre no campo é lenta, mas significativa. Aos poucos, os sul-baianos começam a perceber esses avanços, que acontecem de forma silenciosa, mas eficaz.
Os sergipanos aprenderam que, se podem prosperar em outros lugares, também são capazes de desenvolver suas próprias terras, superando a seca e criando tecnologias para lidar com os desafios. No ambiente urbano, pequenos negócios, especialmente nas áreas de confecções e turismo, têm se expandido, refletindo a capacidade de inovação e adaptação.
Atualmente, o Brasil observa com admiração a resiliência dos sergipanos, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Eles conseguiram desenvolver sistemas de produção de gado e culturas agrícolas com elevados padrões de qualidade, evidenciando um compromisso com o crescimento sustentável.
Se, no passado, o Sul da Bahia dependia da mão de obra sergipana para a implantação do cultivo de cacau, talvez seja hora de inverter essa lógica. Aprender com a experiência dos sergipanos pode trazer novos conhecimentos e práticas que dinamizem a economia local e promovam um desenvolvimento mais robusto e autossustentável.

