Exposição Une Diversas Culturas em Salvador
A Expo Teia dos Povos: Uma Aliança Preta, Indígena e Popular está em cartaz na Casa de Castro Alves, localizada no bairro de Santo Antônio, em Salvador. Esta mostra faz parte das ações do Movimento IRUN e visa apresentar uma articulação viva entre povos indígenas, comunidades quilombolas, agricultores familiares e movimentos sociais que atuam tanto nas áreas urbanas quanto rurais.
Essa exposição tem como objetivo promover a compreensão da Teia dos Povos como uma rede de organização territorial, que se estrutura a partir de práticas coletivas ligadas à terra, à ancestralidade e à defesa de modos de vida pautados pelo Bem Viver. O caminho expositivo revela essa articulação como um processo em constante construção, sustentado por relações comunitárias e pelo compartilhamento de saberes.
Segundo a proposta curatorial, a exposição foi idealizada como um espaço de escuta, formação e reflexão, reunindo diversos registros, experiências e práticas que emergem dos territórios que compõem a Teia dos Povos. O foco está na intersecção entre organização social, território e a produção da vida.
Princípios e Práticas da Teia dos Povos
A mostra evidencia princípios fundamentais que guiam a atuação da Teia dos Povos, como a valorização da terra e do território como bases materiais e políticas, além da água, das sementes e da soberania alimentar enquanto bens comuns. Esses elementos permitem o fortalecimento do trabalho coletivo e da formação política como instrumentos de organização social.
Esses princípios se manifestam por meio de experiências que estão atreladas à agroecologia, regeneração ambiental e à produção de alimentos. Também são abordados aspectos como o manejo da água e o fortalecimento de redes comunitárias. A mostra apresenta práticas como mutirões, a partilha de sementes crioulas, bioconstrução e o uso de tecnologias sustentáveis que fazem parte do cotidiano dos territórios.
A curadoria da exposição, que conta com o trabalho de Márcia Ganem, Solange Brito Santos e Aline Bento, organiza conteúdos que demonstram como essas práticas se estabelecem na vida diária das comunidades, unindo a produção e o cuidado com o território à organização coletiva.
Eixos Temáticos e a Memória dos Povos
Entre os temas abordados na exposição, destacam-se a luta por terra e território, que são vistos como espaços de convivência entre natureza e comunidade. Também são discutidos tópicos como a autonomia territorial, a soberania alimentar e a defesa da vida, em oposição a modelos de desenvolvimento que exploram intensivamente os recursos naturais.
A prática da Rede de Sementes é apresentada como uma forma de preservar tanto a cultura quanto a biodiversidade, enquanto a floresta Cabruca, um sistema agroflorestal tradicional do sul da Bahia, é destacada como um exemplo de integração entre conservação ambiental e produção de alimentos. Os mutirões, por sua vez, surgem como uma ferramenta de cooperação e construção coletiva do saber.
A exposição ainda ressalta a atuação da Rede de Mulheres da Teia dos Povos, que reúne mulheres indígenas, quilombolas, camponesas e de áreas periféricas em ações de organização, cuidado comunitário e troca de saberes. Um dos destaques é a memória do povo Tupinambá de Olivença, que é apresentada por meio de uma peregrinação realizada há mais de duas décadas em defesa da demarcação de seu território tradicional.
Um Projeto com Apoio Institucional
A Expo Teia dos Povos: Uma Aliança Preta, Indígena e Popular integra o Movimento IRUN e foi contemplada por editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia. O projeto conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura, dentro dos parâmetros da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que é direcionada pelo Ministério da Cultura do Governo Federal.
Essa iniciativa também se insere na Política Nacional Cultura Viva, voltada para apoiar ações culturais desenvolvidas por coletivos e comunidades em diversos territórios, fortalecendo redes de produção cultural e organização social.

