Cerimônia Comemorativa e Reajuste do Salário Mínimo
No último dia 16 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareceu à Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, para celebrar os 90 anos da implementação do salário mínimo no país. Durante o evento, também se comemorou os 20 anos da política de valorização real do piso nacional. Esta cerimônia ocorreu simultaneamente à estreia do novo valor do salário mínimo, que foi fixado em R$ 1.621 após um reajuste de 6,7%. O encontro contou com a presença de autoridades federais, ministros e representantes de instituições, que discutiram os significativos impactos sociais e econômicos que o salário mínimo representa. Medalhas comemorativas foram lançadas para marcar as importantes datas.
Política de Valorização e Necessidades Básicas
Com a implementação do reajuste em 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo aumentou de R$ 1.518 para R$ 1.621, refletindo uma correção inflacionária e um ganho real. Durante a cerimônia, Lula enfatizou que a valorização do salário mínimo deve ser um compromisso contínuo, reforçando que o valor atual ainda não satisfaz plenamente as necessidades básicas dos trabalhadores, conforme estipulado na legislação.
O presidente destacou que o propósito do evento não era apenas comemorar o valor nominal do salário mínimo, mas resgatar a ideia original que levou à sua criação em 1936. Essa iniciativa visava garantir direitos fundamentais aos trabalhadores, como moradia, alimentação, educação e liberdade de circulação. Lula ressaltou que, ao longo da história, o salário mínimo nunca atingiu completamente esses objetivos, evidenciando a necessidade de um aumento constante na sua valorização.
Impacto Social e Beneficiários do Piso Nacional
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, revelam que 35,3% dos trabalhadores brasileiros, o que equivale a aproximadamente 31,3 milhões de pessoas, recebiam até um salário mínimo naquele ano. Esse número ilustra a importância do piso nacional como referência de renda para uma parcela significativa da população.
A política de valorização do salário mínimo também beneficia aposentados e pessoas que recebem auxílio assistencial. Segundo estimativas, cerca de 62,3 milhões de cidadãos, incluindo 29,4 milhões de brasileiros que recebem benefícios previdenciários e assistenciais, são impactados pela política, demonstrando o alcance do piso em todo o espectro da sociedade.
Retomada e Evolução da Valorização
A celebração dos 90 anos do salário mínimo ocorre em um momento de retomada da política de valorização, particularmente depois de um período de estagnação entre 2019 e 2022, quando o ganho real acumulado foi de apenas 0,06%. A partir de 2023, essa política foi novamente colocada em prática com a sanção da Lei nº 14.663/2023, que assegurou aumentos reais anuais do salário mínimo. Comparando os dados de janeiro de 2022 a janeiro de 2026, o aumento do poder de compra dos trabalhadores superou a inflação em 11,8%, um sinal positivo da recuperação gradual da renda.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, defendeu que, apesar das críticas históricas à política de valorização, os resultados demonstraram um efeito positivo no desenvolvimento econômico, desafiando previsões pessimistas sobre desemprego e retração do mercado de trabalho.
Critérios de Correção e Segurança Jurídica
O novo modelo de correção do salário mínimo combina as variações da inflação, medidas pelo INPC, com o crescimento do PIB de dois anos anteriores, respeitando um teto de variação estabelecido pela legislação fiscal para o período de 2025 a 2030. Essa regra limita o ganho real a até 2,5%, buscando equilibrar a valorização salarial e a responsabilidade fiscal.
O governo argumenta que transformar a política em regra permanente, desvinculando-a de decisões executivas, amplia a previsibilidade e garante maior segurança jurídica aos trabalhadores, rompendo com ciclos de congelamento do salário mínimo que marcaram a história brasileira.
Uma História de Justiça Social
O salário mínimo foi instituído pela Lei nº 185, em 1936, como resposta às condições precárias de trabalho que o Brasil enfrentava na época, caracterizadas por jornadas extensas e salários baixos. Desde então, ele se tornou um pilar de proteção social e um instrumento para reduzir desigualdades e fomentar o crescimento econômico.
No início do primeiro mandato de Lula, em 2003, o aumento do salário mínimo foi definido como uma prioridade. A formalização da Política de Valorização em 2006, que incorporou critérios de inflação e crescimento do PIB para os reajustes, solidificou essa trajetória.
Repercussões Econômicas e Medalhas Comemorativas
O recente reajuste, que elevou o salário mínimo em R$ 103, deve resultar em um impacto de aproximadamente R$ 82 bilhões na economia nacional, segundo previsões oficiais. O aumento da renda disponível tende a estimular o consumo e a fortalecer o comércio, gerando efeitos multiplicadores na economia.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que, se não fossem as políticas de valorização adotadas nos últimos anos, o salário mínimo estaria em torno de R$ 830, evidenciando assim a relevância das políticas de reajuste real.
Além disso, a cerimônia também marcou o lançamento de medalhas comemorativas de prata e bronze, celebrando os 90 anos do salário mínimo e os 20 anos da política de valorização real. As medalhas simbolizam a história do salário mínimo e o compromisso do Estado brasileiro com a justiça social e o trabalho digno. Segundo Sérgio Perini, presidente da Casa da Moeda, essas medalhas representam o percurso histórico do salário mínimo e a luta pela igualdade salarial no Brasil.

