O Ceará e a Profissionalização dos Síndicos
A profissionalização dos síndicos no Ceará está em plena ascensão, acompanhando o crescimento do número de condomínios e a crescente complexidade da gestão condominial. O estado se destaca como um dos mais promissores do Nordeste para quem almeja essa carreira, conforme indicam dados do Censo Condominial 25/26 e do estudo Perfil do Síndico Brasileiro, realizado pelo Instituto Datafolha em parceria com o Grupo Superlógica.
No Ceará, o cenário imobiliário está em franca expansão, caracterizado pela verticalização e diversificação dos empreendimentos. Modelos como condomínios-clube e multipropriedades demandam uma administração mais sofisticada. Esse contexto favorece a transição de síndicos moradores para síndicos profissionais, que atuam com contratos formais e são remunerados pelo seu trabalho.
Mercado em Ascensão e Remuneração Atrativa
O Censo Condominial 25/26 revela um panorama de valorização da função de síndico na região, com uma remuneração média de R$ 1.663. O Ceará, em particular, se destaca, apresentando uma média de R$ 1.790 para os síndicos, resultado do aumento de condomínios de médio e grande porte, principalmente nas áreas metropolitanas, onde a profissionalização da gestão já é uma realidade consolidada.
Apesar de estados como Maranhão (R$ 2.445), Bahia (R$ 2.381) e Rio Grande do Norte (R$ 2.243) liderarem o ranking de salários, o Ceará se diferencia pela rápida evolução do mercado e pela transição acelerada do modelo amador para o profissional. Esse processo é marcado pelo crescimento de cursos e empresas especializadas, além da formalização da contratação de gestores condominiais.
Fatores que Impulsionam a Profissionalização
Outros estados do Nordeste, como Alagoas (R$ 2.177) e Piauí (R$ 1.754), também mostram números expressivos. No entanto, o Ceará possui um diferencial importante: uma base imobiliária em constante crescimento, verticalização e uma ampliação no porte dos empreendimentos. Esses fatores estão moldando a demanda por síndicos qualificados e solidificando a função como uma carreira legítima.
Essa evolução em nível local reflete, e em alguns casos, antecipa a tendência nacional de valorização dessa profissão. Atualmente, o Brasil conta com mais de 520 mil condomínios ativos e cerca de 80 milhões de moradores. Administrar esses empreendimentos exige habilidades típicas de gestão empresarial, como planejamento financeiro, conformidade legal, segurança predial e resolução de conflitos.
Perfil do Síndico Brasileiro e Estatísticas Relevantes
O levantamento sobre o Perfil do Síndico Brasileiro revela que quase 50% dos síndicos no país já atuam de forma profissional, considerando essa função como sua principal fonte de renda. Além disso, 72% buscam cursos de qualificação específicos, uma tendência também observada no Ceará, onde programas de formação e capacitação estão se expandindo.
Entre os dados do estudo, destacam-se:
- 59% dos síndicos são homens, enquanto 41% são mulheres;
- A média de idade dos síndicos é de 42 anos;
- 70% dos síndicos profissionais começaram como voluntários antes de transformar a função em uma carreira remunerada.
As diferenças entre os modelos de atuação são acentuadas. Um síndico profissional, por exemplo, gerencia, em média, oito condomínios e mais de 750 unidades, dedicando cerca de 32 horas semanais. Em contrapartida, o síndico morador voluntário geralmente cuida de um ou dois condomínios, somando aproximadamente 103 unidades e dedicando em média 19 horas por semana.
A Digitalização como Vetor de Mudança
A digitalização na gestão condominial no Ceará também está promovendo um avanço significativo na profissionalização. O uso de plataformas para administração, assembleias virtuais, prestação de contas online e comunicação via aplicativos já é uma realidade para muitos empreendimentos, aumentando a transparência e o controle financeiro.
Luciana Lima, CEO da Gestart Condomínios, afirma que o Ceará está vivendo um momento decisivo:
“O estado possui todas as condições para consolidar a carreira de síndico profissional: expansão do mercado imobiliário, condomínios de grande porte, exigências legais mais rigorosas e condôminos que buscam uma gestão técnica e transparente. Hoje, observamos uma diminuição no número de síndicos improvisados e um aumento na presença de gestores qualificados”, afirma.
Ela também enfatiza o impacto positivo que essa transição traz para os moradores e para o patrimônio:
“A profissionalização resulta em menos conflitos, maior organização financeira, prevenção de problemas jurídicos e valorização dos imóveis. No Ceará, essa mudança já é visível nos condomínios que decidiram contratar síndicos qualificados e empresas especializadas”, completa.

