Apenas um Senador do PT Apoia a Investigação
A proposta para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) destinada a apurar as denúncias de fraudes envolvendo o Banco Master conta, até o momento, com a adesão de apenas um senador do Partido dos Trabalhadores (PT), o capixaba Fabiano Contarato. Esse dado foi confirmado em um levantamento realizado pela CNN Brasil, que revela que, entre as mais de 270 assinaturas já coletadas para o requerimento, a presença de representantes do PT é praticamente insignificante.
Embora alguns membros do partido tenham expressado apoio nas redes sociais, a realidade é que não há outros parlamentares do PT que tenham formalmente se comprometido com a CPMI. A ausência de apoio do partido que é base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva levanta questões sobre a disposição dos petistas em se envolver com a investigação.
O panorama das assinaturas também evidenciou a limitada participação de congressistas provenientes de estados como Piauí e Bahia, que são representados respectivamente por Ciro Nogueira (Progressistas) e Jaques Wagner (PT). Essa situação contrasta com o apoio robusto que a CPMI recebeu de outras legendas.
A articulação para a criação da CPMI está sendo liderada pelo deputado Carlos Jordy, do PL do Rio de Janeiro, que é um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Até a noite da última sexta-feira (30), o pedido contava com o apoio de 42 senadores e 230 deputados federais, sendo a maioria deles filiados ao Partido Liberal e outras siglas de oposição.
Desafios e Ceticismo em Torno da CPMI
Apesar do número expressivo de assinaturas, a efetiva instalação da CPMI no Congresso é recebida com certo ceticismo entre os parlamentares. Inicialmente, os governistas acreditavam que os escândalos do Banco Master poderiam afetar mais diretamente o centrão, devido às ligações do banco com figuras como Ciro Nogueira e Antonio Rueda. No entanto, novas investigações revelaram conexões do Banco Master com membros próximos ao governo e aliados de Lula.
Um dos pontos críticos mencionados é o encontro entre o presidente e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que ocorreu no final de 2024. O ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e Guido Mantega, um antigo aliado de Lula, também foram citados como consultores do banco, suscitando questionamentos sobre suas relações.
Os petistas têm argumentado que a prestação de serviços privados não configura crime. Lewandowski, por exemplo, deixou todos os seus negócios antes de assumir a pasta da Justiça, conforme afirmam seus defensores. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, reconheceu que indicou Lewandowski para o banco, além de ter mencionado sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, embora tenha negado qualquer ligação direta com as operações do Banco Master.
Reação do PT e Críticas ao Mercado Financeiro
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reiterou que Fabiano Zettal, cunhado de Vorcaro e também alvo de investigações, foi o maior financiador individual das campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro. Em meio a essas acusações, a Comissão Executiva Nacional do PT decidiu utilizar o caso do Banco Master para tecer críticas ao mercado financeiro, chamando-o de exemplo de corrupção e de promiscuidade entre setores do mercado e o crime organizado.
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro, por sua vez, evitou comprometer qualquer político, ao mesmo tempo que mencionou ter “amigos em todos os Poderes”, mas não revelou nomes. Sua declaração gerou um certo alívio entre os representantes do mundo político, que temem possíveis repercussões.
“Se eu realmente tivesse tantas relações políticas, como estão afirmando, e se eu tivesse solicitado ajuda deles, não estaria com a operação do BRB negada e nem sob tornozeleira, além de sofrer com as consequências que minha família está passando”, afirmou Vorcaro, tentando desviar as atenções das acusações.

