Uma Noite de Celebração Cultural no Pelourinho
Nesta sexta-feira (30), os largos do Pelourinho foram tomados por um público entusiasmado, revelando o sucesso da programação cultural que promoveu música, identidade e ocupação artística no Centro Histórico de Salvador. O evento, que atraiu tanto baianos quanto visitantes apaixonados pela cultura afro-baiana, foi uma verdadeira celebração da diversidade de ritmos que compõem a rica tapeçaria musical do Brasil.
Um dos grandes destaques da noite foi a Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, que ficou repleta durante a apresentação de Samba Trator e Omo Obá. O espaço estava completamente lotado, com muitos fãs se aglomerando nas cercanias para conseguir uma visão mais próxima do show, um cenário que evidenciou a força do samba e sua capacidade de mobilização social.
Diversidade Musical em Vários Largos
No Largo Tereza Batista, a energia também estava em alta. O tradicional Bloco Afro Muzenza atraiu uma plateia significativa, preenchendo o espaço com suas potentes batidas percussivas, danças vibrantes e referências à mãe África, consolidando seu lugar como uma das atrações mais esperadas da noite.
Enquanto isso, no Largo Pedro Archanjo, o grupo Commanche do Pelô fez seu ensaio geral, apresentando ao público a temática que irá conduzir o Carnaval deste ano. Homenageando Catarina Paraguaçu, o grupo exaltou a importância das mulheres indígenas e negras na construção da história e da cultura brasileira. Jorginho Commanche, líder do grupo, enfatizou a importância educativa da iniciativa: “a gente precisa educar e conscientizar esses rapazes que ainda cometem absurdos contra as mulheres”, comentou.
Um Legado Musical e Cultural
Outro importante momento foi a apresentação de Taian Riachão no Largo Quincas Berro D’Água. O artista trouxe ao público um repertório que mesclou samba de raiz com expressões contemporâneas, navegando entre sucessos de Batatinha e releituras do BaianaSystem. Neto de um dos maiores sambistas do Brasil, Taian ressaltou a conexão histórica de sua família com o Pelourinho: “trata-se de um dos pilares que fundamentam nossa cultura, não só para a minha carreira, como também para a carreira de meu avô, que andava nessas ruas, tocava e cantava samba por aqui, quando ainda existia a lei da vadiagem”, explicou, colocando em perspectiva a importância do espaço para as gerações passadas e futuras.
A programação da noite integrou o projeto Verão na Bahia, Uma Estado de Alegria, promovido pelo Governo da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA). Essa iniciativa reafirma o compromisso do governo com a democratização do acesso à cultura, valorização das expressões afro-baianas e a ocupação qualificada dos espaços públicos no Centro Histórico.

