Apenas Moradores da Faixa de Gaza Podem Atravessar a Fronteira com o Egito
No último domingo (1º), Israel anunciou a reabertura da passagem de Rafah, localizada na Faixa de Gaza, mas com restrições significativas. A medida, que permite apenas a travessia de moradores da região palestina e não contempla a passagem de ajuda humanitária, é parte do plano de paz proposto anteriormente pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi divulgada pelo Cogat, órgão vinculado ao Ministério da Defesa israelense, responsável pelo gerenciamento de assuntos civis em Gaza.
“Uma fase piloto começou em coordenação com a missão de assistência de fronteiras da União Europeia (Eubam) e as autoridades responsáveis”, declarou o Cogat, omitindo qualquer menção à entrada de ajuda humanitária.
A votação para a autorização do trânsito de pessoas deve ocorrer a partir de segunda-feira (2). Entretanto, a reabertura gerou reações fortes de líderes do Egito e da Jordânia, que condenaram o que consideram tentativas de deslocamento da população palestina. Os presidentes dos dois países se reuniram no Cairo e reafirmaram sua oposição a qualquer tentativa de deslocamento forçado dos palestinos.
De acordo com informações de representantes do Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas, cerca de 20 mil pessoas aguardam a reabertura da passagem a fim de receber tratamento médico no Egito. A fronteira esteve fechada desde maio de 2024, quando o exército israelense passou a controlar o local. Mohammed Shamiya, 33 anos, é um dos que aguardam a chance de deixar Gaza. Ele sofre de uma doença renal que exige tratamento de diálise e teme que sua condição se agrave.
Médicos Sem Fronteiras Interrompe Atividades em Gaza
No mesmo dia, Israel anunciou que a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) terá que interromper suas atividades na Faixa de Gaza. Essa decisão foi atribuída à recusa da ONG em fornecer uma lista de seus colaboradores palestinos, uma exigência que, segundo o Ministério da Diáspora israelense, aplica-se a todas as instituições humanitárias que atuam na região. A decisão de descontinuar a atuação da MSF foi considerada pela organização como um pretexto para obstruir a ajuda humanitária.
Em dezembro, o ministério havia afirmado que 37 organizações humanitárias, incluindo a Médicos Sem Fronteiras, seriam proibidas de operar em Gaza a partir de 1º de março, caso não apresentassem informações detalhadas sobre seus colaboradores. Autoridades israelenses alegaram que dois funcionários da MSF tinham vínculos com grupos como o Hamas e o Jihad Islâmico, alegações que a ONG refutou.
A MSF tentou, em uma medida excepcional, compartilhar uma lista parcial de colaboradores, desde que houvesse garantias claras sobre a segurança deles, mas afirmou que não conseguiu dialogar com as autoridades israelenses para garantir as necessárias compromissos de segurança.
Em meio a toda essa situação, Israel lançou, no último sábado (31), um de seus ataques aéreos mais intensos na Faixa de Gaza, atingindo uma delegacia administrada pelo Hamas. O ataque resultou na morte de pelo menos 32 pessoas, incluindo três crianças, segundo autoridades locais de saúde.
Além disso, a situação no território tem se agravado, com Israel admitindo que os bombardeios na região resultaram na morte de pelo menos 25 mil civis desde o início do conflito, desencadeado em 7 de outubro de 2023 com um ataque terrorista do Hamas. Apesar de um cessar-fogo temporário, a violência continua, e a situação humanitária permanece crítica.
O plano de paz de Trump ainda prevê uma administração palestina composta por tecnocratas e a desarmamento do Hamas, enquanto uma força internacional seria responsável pela manutenção da paz e reconstrução da Gaza. O movimento, porém, enfrenta resistência, uma vez que o Hamas já declarou sua rejeição ao desarmamento e Israel se mantém firme em sua postura de que usará a força se necessário para garantir a segurança em sua fronteira.

