Aumento das Mortes Cometidas por Policiais
No Brasil, as mortes atribuídas a ações policiais subiram 4,5% em 2025, com destaque para Rondônia, que viu um aumento chocante de 488%, passando de 8 para 47 mortes. É importante ressaltar que, em termos absolutos, a Bahia lidera o número de casos, com 1.569 mortes registradas. Esses dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao Ministério da Justiça, que se encarrega da divulgação oficial.
Enquanto isso, um levantamento recente realizado pelo portal g1 indicou que as mortes violentas, que englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte, apresentaram uma queda pelo quinto ano consecutivo no país. Este contrassenso evidencia uma situação complexa na segurança pública brasileira, onde a letalidade policial contrasta com a redução dos índices de criminalidade.
Nos últimos dez anos, o país registrou um aumento de 170% nas mortes cometidas por policiais, um dado que gera preocupação entre especialistas e ativistas dos direitos humanos. O gráfico abaixo apresenta uma visão detalhada das estatísticas por estado.
Letalidade Policial por Estado
Em 2025, os estados que registraram o maior número de mortes cometidas por policiais foram a Bahia, com 1.569 casos, seguida por São Paulo, com 835, e Rio de Janeiro, onde 798 mortes foram contabilizadas. Um fato marcante ocorreu no final de outubro, quando uma megaoperação contra o Comando Vermelho resultou na morte de 121 pessoas, 117 suspeitos e 4 policiais, contribuindo para a alta de 13% nas mortes no Rio de Janeiro.
Além disso, o Amapá, com uma taxa de 17,11 mortes por 100 mil habitantes, a Bahia com 10,55 e o Pará com 7,28, destacam-se pelas altas taxas de letalidade policial. O aumento em Rondônia, conforme apontado pelo promotor Pablo Viscardi, está intimamente ligado a conflitos entre facções criminosas, que demandaram um reforço das operações policiais na região.
Janeiro de 2025 foi especialmente violento em Porto Velho, onde 12 mortes ocorreram em meio a uma onda de confrontos entre polícia e criminosos, desencadeada por eventos trágicos como a morte de um líder de facção durante uma ação policial.
Análise da Letalidade Policial
O g1 tentou entrar em contato com o governo de Rondônia para obter um posicionamento sobre a situação, mas ainda aguarda resposta. Especialistas, como o tenente-coronel aposentado Adilson Paes de Souza, argumentam que a continuidade da lógica de eliminação de indivíduos considerados marginais é uma característica da política de segurança pública no Brasil, observando que tanto políticos de esquerda quanto de direita se valem da letalidade policial como resposta a crimes.
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, critica a ineficácia das políticas públicas que deveriam oferecer alternativas não-letais para as forças policiais, sugerindo que os estados não estão priorizando a redução do uso da força letal. “Ainda que existam propostas para alternativas, a realidade é que o uso da força continua elevado”, afirma.
Mortes e Suicídios de Policiais
Enquanto as mortes cometidas por policiais aumentaram, as fatalidades entre os próprios agentes de segurança diminuíram, com 185 casos registrados em 2025, uma queda de 8% em relação ao ano anterior. O Rio de Janeiro, responsável por 42% das mortes de policiais, contabilizou 77 fatalidades, um aumento de 35% em comparação aos 57 casos de 2024.
Embora as mortes de policiais tenham diminuído, a questão do suicídio entre esses profissionais é alarmante, com 131 casos reportados, representando uma redução de 13%. No entanto, isso implica que, em média, um policial se suicida a cada três dias no Brasil. São Paulo, por outro lado, viu um aumento significativo nas ocorrências de suicídio entre policiais, enquanto o Rio de Janeiro apresentou uma queda nesta estatística.
Esses dados revelam um panorama sombrio, onde as mortes geradas pela ação policial e o sofrimento dos agentes se intercalam, mantendo a sociedade em um ciclo de insegurança e violência. Adilson Paes de Souza sintetiza a situação: “Continuamos a ver um elevado número de mortes, tanto entre civis quanto entre policiais, sem que isso traga uma sensação de segurança para a população”.

