Uma Imersão na Arte Indígena e na Memória Coletiva
A partir de terça-feira, 10 de outubro, a CAIXA Cultural Salvador abre as portas para a exposição “Toda Árvore Tem Raiz”, a primeira mostra individual da artista indígena Yacunã Tuxá. Com um total de 25 obras, a exposição diversifica suas linguagens e suportes, englobando pintura, fotografia, poesia, muralismo, escultura, lambe-lambe, vídeo mapping e performance. A visitação é gratuita e ficará em cartaz até 10 de maio.
Essa iniciativa tem como base a trajetória de Yacunã, que pertence ao povo Tuxá de Rodelas, localizado no interior da Bahia. Sua obra é marcada por experiências de deslocamento forçado e uma resistência persistente. A exposição visa estabelecer um diálogo entre o analógico e o digital, convidando os visitantes a refletirem sobre temas cruciais como memória, identidade, território e urbanidade. A metáfora das raízes é utilizada como um recurso essencial, simbolizando as histórias individuais e coletivas que essas obras carregam.
A Curadoria e a Experiência Imersiva
A curadoria da exposição é realizada por Naine Terena e Vera Nunes, que estabelecem um diálogo direto com a artista. Essa proposta cria uma experiência imersiva, que articula a identidade indígena com contextos culturais não indígenas. O resultado é um percurso sensorial que provoca reflexões sobre as vivências dos corpos indígenas, seus territórios e suas espiritualidades.
Elementos simbólicos, como o rio, a canoa e a Jurema — uma planta sagrada — permeiam as obras, atuando como eixos espirituais e políticos. A presença do feminino indígena se destaca como um elemento central na narrativa, sublinhando o papel das mulheres como raízes da terra, responsáveis por manter vivas histórias de cuidado, resistência e reinvenção.
“‘Toda Árvore Tem Raiz’ é um espaço de afirmação da força irrefreável da memória e do pertencimento. Nas obras expostas, as mulheres ocupam o centro do território das lembranças. A multiplicidade de linguagem criativa que apresento neste projeto demonstra que é impossível sintetizar a pluralidade subjetiva das existências indígenas.”, afirma Yacunã Tuxá.
A artista completa dizendo: “Entre aldeia e cidade, moldando barro ou segurando uma filmadora, a presença dessas mulheres, ao longo da história, articula e articulou resistências variadas, algumas invisíveis, mas todas potencialmente criativas e transformadoras.”
Sobre Yacunã Tuxá
Yacunã Tuxá é considerada uma das principais vozes da arte indígena contemporânea no Brasil. Sua atuação abrange artes visuais, literatura, muralismo e curadoria, onde desenvolve uma produção que conecta memória, ancestralidade e política. Seu trabalho foi apresentado em diversas instituições culturais, conquistou prêmios e gerou projetos curatoriais e grandes intervenções urbanas, além de ter resultado na publicação de seu primeiro livro de poemas. A obra de Yacunã se estabelece como uma ferramenta poderosa para resistência, afirmação identitária e cura coletiva.

