O Desafio da Representatividade Feminina
No Brasil, as mulheres compõem apenas 19,7% do total de parlamentares no Senado. Este percentual é alarmante, considerando que elas representam 51,5% da população. Para que a presença feminina na Casa Legislativa reflita efetivamente seu peso na sociedade, seria necessário um aumento de 31,8 pontos percentuais. A questão da sub-representação feminina no Congresso é um tema constante nas discussões políticas. A senadora Dorinha Seabra, do União do Tocantins, ao assumir a liderança da bancada feminina, ressaltou a importância de garantir que a voz das mulheres seja ouvida em todos os assuntos de relevância social. “Nós representamos mais de 50% da população e temos a responsabilidade de dar voz a quem não a tem, trazendo à tona questões fundamentais sobre a representação feminina, especialmente nos debates que envolvem orçamento, tributação e desenvolvimento das cidades, além de áreas essenciais como saúde e educação”, afirmou.
Por sua vez, a senadora Zenaide Maia, do PSD do Rio Grande do Norte, enfatizou o impacto positivo da presença feminina na política, mesmo que ainda em número reduzido. Ela destacou o papel ativo das parlamentares na votação do novo Código Eleitoral, que foi uma questão crucial na luta pela igualdade de gênero nas candidaturas. Durante a discussão na Comissão de Constituição e Justiça, a mobilização das senadoras assegurou a manutenção da cota de 30% para candidaturas femininas e dos 20% para cadeiras efetivas no Legislativo. Zenaide Maia lembrou que “foi a luta da bancada feminina no Senado que impediu a aprovação de uma proposta de novo Código Eleitoral que retirava o nosso direito de 30% de candidaturas proporcionais nas chapas. Sem igualdade de condições para disputar as eleições, nossa sub-representação continuará a existir”.
Atualmente, o projeto do novo Código Eleitoral está pronto para ser votado em plenário. No entanto, mesmo que a aprovação ocorra em breve, a reserva de cadeiras para mulheres no Legislativo não vigora para as eleições de outubro, devido ao princípio da anualidade, que estipula que mudanças desse tipo não podem ser implementadas a menos de um ano antes das eleições. Portanto, a luta por mais representatividade feminina na política é uma questão urgente e contínua.
O Caminho para a Equidade
As senadoras reconhecem que, para transformar o cenário atual, é preciso mais do que apenas legislações. Investir em programas que incentivem a participação feminina na política, promover a formação de mulheres líderes e criar um ambiente mais acessível e acolhedor são passos fundamentais. A conscientização da população sobre a importância da representatividade também desempenha um papel crucial nessa jornada.
Com a aproximação das eleições de 2026, a expectativa é que o número de mulheres candidatas cresça, refletindo um desejo latente por mudanças significativas na política brasileira. O engajamento da sociedade civil, a pressão por políticas públicas que garantam a equidade de gênero e a união das mulheres em torno de suas pautas são essenciais para que esse cenário possa se transformar de fato.
No contexto do debate político atual, a senadora Dorinha Seabra observa que “é vital que todas as mulheres se sintam parte dessa luta, que cada uma tenha sua voz e suas demandas reconhecidas no espaço político”. Assim, a superação da sub-representação feminina na política não é apenas uma questão de justiça, mas uma necessidade para fortalecer a democracia e construir uma sociedade mais equilibrada. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

