Iniciativa para Fortalecer a Indústria de Baterias
O governo brasileiro está tomando medidas proativas para impulsionar a indústria de baterias no país. Recentemente, foi anunciado o envio de engenheiros brasileiros à China, um movimento estratégico para absorver tecnologias que possam beneficiar a produção nacional de baterias. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, relatou a novidade durante um evento com banqueiros na última quarta-feira (11).
Segundo Silveira, a ideia é que os engenheiros colaborem diretamente com empresas chinesas que participarão do leilão de baterias. “Nós vamos articular com essas empresas para que recebam profissionais da engenharia brasileira e que, ao retornarem, possam agregar conhecimento à nossa indústria”, afirmou o ministro. Essa estratégia visa não apenas a transferência de tecnologia, mas também a criação de uma base sólida de inteligência no setor de baterias no Brasil.
O leilão de baterias, que deve ocorrer até junho deste ano, é uma iniciativa crucial para o desenvolvimento do setor. As baterias desempenham um papel vital na estabilização do sistema elétrico, permitindo o armazenamento de energia gerada durante o dia para utilização noturna, especialmente no caso da energia solar. Dessa forma, a implementação deste leilão é vista como um passo importante para garantir a sustentabilidade energética do país.
Conteúdo Local e Desenvolvimento Nacional
Durante sua fala, Silveira enfatizou a intenção de incluir conteúdo local no leilão. “Vamos garantir, mesmo que modestamente, uma parte de conteúdo nacional, iniciando assim um processo de inteligência que, aliado às políticas de minerais críticos e estratégicos, permitirá a construção de uma cadeia produtiva de baterias no Brasil”, destacou.
Essa abordagem visa não apenas fomentar a economia local, mas também posicionar o Brasil como um player relevante no setor de energia renovável. A expectativa é que, com o aprendizado adquirido na China, o país possa desenvolver suas próprias tecnologias e processos de produção, resultando em benefícios econômicos e ambientais.
No que diz respeito ao plano traçado pelo presidente Lula para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, Silveira comentou sobre os desafios enfrentados. O governo estabeleceu um prazo de 60 dias para a elaboração de um mapa estratégico que guie essa transição, mas o ministro reconheceu a falta de consenso entre os ministérios envolvidos. “Não houve acordo, pois na nossa visão, o que foi proposto já está contemplado em nosso plano nacional de transição energética”, afirmou.
Ele ressaltou a importância de ser realista em relação à posição do Brasil como um país petroleiro, sugerindo que a transformação não pode ser abrupta e requer uma abordagem mais cautelosa.
Criação de uma Secretaria Nacional de Eletromobilidade
Alexandre Silveira também mencionou suas conversas com a ministra Esther Dweck, responsável pela Gestão e Inovação, sobre a criação de uma Secretaria Nacional de Eletromobilidade. Essa nova secretaria teria como objetivo supervisionar a expansão do setor de eletromobilidade no país, uma área que está em crescimento e é essencial para o futuro energético sustentável do Brasil.
A proposta de uma secretaria dedicada reflete o reconhecimento da importância da eletromobilidade na luta contra as mudanças climáticas e na promoção de energias limpas. Essa iniciativa poderá contribuir significativamente para a mobilização de recursos e esforços necessários para a transformação do setor energético brasileiro.
Assim, a combinação do leilão de baterias e a criação de uma estrutura governamental focada na eletromobilidade demonstra um compromisso crescente do Brasil em investir em tecnologias limpas e na transição energética. As ações planejadas podem levar a um futuro mais sustentável e autônomo, alinhando o país às tendências globais do setor energético.

