Operação Inédita contra Violência Sexual
A Polícia Federal (PF) realizou uma operação significativa nesta quarta-feira (11), prendendo três homens suspeitos de dopar mulheres, abusar delas e compartilhar vídeos na internet. A ação foi desencadeada após um alerta da União Europeia que denunciou uma rede criminosa internacional dedicada ao compartilhamento de conteúdos de violência sexual contra mulheres sedadas.
As prisões ocorreram em diferentes estados brasileiros, incluindo São Paulo, Ceará e Bahia, além de ações de busca e apreensão em Santa Catarina, Pará e outros locais. Esta é a primeira operação da PF com foco específico no combate a esse tipo de crime, que tem gerado crescente preocupação em todo o mundo.
De acordo com as investigações, os suspeitos faziam parte de um grupo de brasileiros que utilizava medicamentos controlados para sedar suas vítimas, que eram selecionadas com base em relações de confiança, como parentes e amigos próximos. Bruno César Muniz, delegado da PF, destacou a gravidade da situação: “As vítimas geralmente são pessoas que possuem uma relação de confiança com os autores. Eles exploravam essa relação para cometer os abusos, realizando a sedação de modo furtivo, sem que as vítimas soubessem.”
Durante as operações, os agentes encontraram diversos medicamentos e substâncias em pó que, segundo a PF, poderiam ser usados para sedar as vítimas. Um dos presos é acusado de ter abusado até mesmo da própria tia. A PF já identificou que o aplicativo Telegram foi uma das plataformas usadas para a disseminação dos vídeos dos abusos.
Em resposta à operação, o Telegram afirmou que conteúdos de pornografia não consensual são rigorosamente proibidos em seus Termos de Serviço, e a plataforma remove esse tipo de material assim que é identificado. O caso gerou comparações a incidentes anteriores, como o da francesa Gisèle Pelicot, que foi dopada pelo marido durante uma década, sendo forçada a participar de relações sexuais com estranhos.
Os detidos enfrentarão acusações de estupro de vulnerável e pela divulgação das imagens na internet. A PF também apreendeu computadores e smartphones que podem ajudar a revelar outros possíveis envolvidos e novas vítimas.

