História e Cultura Afro no Carnaval
Na noite desta segunda-feira (16), o Bloco Afro Muzenza do Reggae fez sua vibrante passagem pelo Circuito Dodô (Barra-Ondina), celebrando mais de quatro décadas de história e resistência. Com um legado que ultrapassa os 45 anos, a entidade exalta a força da cultura negra no Carnaval de Salvador. Este ano, o Muzenza se destacou entre as 95 associações beneficiadas pelo programa Ouro Negro, uma iniciativa promovida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), que prevê um investimento recorde de R$ 17 milhões em 2024.
Jorge Santos, diretor-presidente do bloco afro, expressou sua alegria em participar das celebrações. “Estamos muito gratos por mais um Carnaval. Este ano, estamos inspirados a trazer toda a energia e o brilho do Muzenza para a avenida”, comentou entusiasmado. O apoio do programa garante a presença de blocos afro, afoxés, grupos de samba e reggae nos circuitos da capital baiana e em diversas cidades do interior, fortalecendo assim a cultura popular e a preservação das tradições afro-brasileiras.
Um Legado Cultural
Fundado em 5 de maio de 1981, no tradicional bairro da Liberdade, o Muzenza surgiu como uma homenagem ao cantor Bob Marley, conquistando ao longo dos anos um espaço especial no coração dos baianos e de admiradores da cultura afro no mundo todo. A sonoridade do bloco, que combina samba com ritmos jamaicanos e influências africanas, o tornou uma referência cultural, visto como uma ponte entre a música e a tradição negra.
O desfile deste ano foi um verdadeiro espetáculo, reunindo centenas de foliões que, além de celebrar a música, também relembraram a luta e a identidade da população negra. A estética vibrante, as letras poderosas e a energia contagiante do Muzenza deixaram uma marca indelével na festividade. Não apenas pela diversão, mas pela mensagem de resistência e cultura que o bloco carrega consigo.
A Importância do Ouro Negro
A artesã Maria da Conceição, que acompanha o bloco Muzenza há 30 anos ao lado do marido, enfatizou a importância de ver os blocos afro ocupando os principais palcos do Carnaval. “Sou suspeita para falar, mas considero o Muzenza um dos blocos mais apaixonantes de Salvador. O programa Ouro Negro é essencial para que possamos ter essa oportunidade de exibir nossa cultura”, afirmou, mostrando sua empolgação ao acompanhar a evolução do bloco ao longo das décadas.
Além de celebrar a cultura, o Muzenza também destaca a luta por espaço e reconhecimento dentro do cenário festivo de Salvador. A presença marcante dos blocos afro, como o Muzenza, é um testemunho da resistência e da riqueza da cultura negra, que continua a inspirar e unir as pessoas durante o Carnaval.
Assim, com a junção do legado musical e a forte mensagem de resistência, o Bloco Afro Muzenza se reafirma como um ícone no Carnaval, não apenas em Salvador, mas em toda a cultura brasileira. O carnaval se torna, então, uma celebração da vida, da história e da luta, refletindo a essência do povo na passarela da folia.

