Reunião na ALBA busca soluções para crise no setor do cacau
A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputada Ivana Bastos, convocou uma reunião com o presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, além de deputados estaduais e o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB). O objetivo do encontro foi debater a crise que afeta a cadeia produtiva do cacau, motivada pela decisão do Ministério da Agricultura de suspender a importação do produto africano.
No encontro, também estiveram presentes os secretários estaduais da Agricultura, Pablo Barrozo, e de Desenvolvimento Rural, Osni Cardoso. Entre os temas abordados, destacaram-se as mudanças na política de moagem, que não se altera há 40 anos, e propostas de alteração na legislação referente à composição de achocolatados e chocolates, visando aumentar a presença do cacau nos produtos. Além disso, discutiu-se a falta de linhas de crédito e a necessidade de aumentar a produção local.
“A ALBA está plenamente à disposição dos cacauicultores. Essa é uma questão que deve ser tratada em conjunto, independentemente de ser governo ou oposição. É um tema que nos envolve a todos, e o Parlamento estadual deve atuar ativamente nesse debate”, ressaltou Ivana Bastos. Produtores pequenos e médios expressaram gratidão pela oportunidade de dialogar com os parlamentares e integrantes do governo estadual.
O deputado Daniel Almeida, relator de um projeto que visa ampliar a participação do cacau na composição de alimentos à base de chocolate, afirmou que está angariando assinaturas na Câmara dos Deputados para que a proposta seja tramitem em regime de urgência e vá diretamente à votação no plenário.
O projeto, apresentado em 2019 pela ex-senadora Lídice da Mata (PSB), visa aumentar a contribuição dos produtores, que atualmente representa apenas entre cinco a sete por cento da produção. Os agricultores enfatizaram que sem mudanças, a sobrevivência deles fica comprometida. Contudo, consideraram a revogação, pelo governo federal, da autorização de importação de cacau um passo importante para a revitalização do setor.
A reunião contou com a participação de deputados como Rosemberg Pinto (PT), líder do governo; Tiago Correia (PSDB), líder da oposição; e Manuel Rocha (UB), presidente da Comissão de Agricultura da ALBA, entre outros. A decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária, que suspendeu as importações de amêndoas fermentadas e secas de cacau da Costa do Marfim, foi anunciada na terça-feira, 24.
Essa medida foi tomada em decorrência de riscos fitossanitários relacionados ao elevado fluxo de grãos provenientes de países vizinhos, que podem resultar na contaminação das cargas destinadas ao Brasil.
As dificuldades enfrentadas pelos cacauicultores baianos refletem uma situação complexa que requer atenção e ação imediata. A suspensão das importações pode representar uma oportunidade para fortalecer a produção local e minimizar a dependência de insumos externos.
Desafios e Oportunidades no Setor do Cacau
Os desafios impostos pela crise do cacau são diversos e exigem uma abordagem estratégica. A falta de apoio financeiro, a baixa legislação sobre a composição dos produtos e a necessidade de inovação na produção são apenas algumas das questões que precisam ser abordadas. A reunião na ALBA é um passo inicial, mas a implementação de políticas efetivas será crucial para garantir a sustentabilidade do setor a longo prazo.
A situação dos cacauicultores destaca a importância de um trabalho conjunto entre os legisladores e os produtores, visando não apenas a sobrevivência imediata, mas também o fortalecimento do setor como um todo. A mobilização de todos os envolvidos no debate é essencial para a construção de um futuro mais promissor para a cadeia produtiva do cacau na Bahia.

