Proposta de Torcida Mista em Clássico Baiano
Desde 2017, a cena dos clássicos baianos mudou drasticamente, com tricolores e rubro-negros não se misturando mais nas arquibancadas. Contudo, com a nova formatação do Campeonato Baiano a partir de 2026, que prevê partidas únicas em fases decisivas, o presidente do Vitória, Fábio Mota, expressou em uma recente entrevista à TVE sua intenção de solicitar a volta da torcida mista para a final. Para ele, seria injusto limitar a presença de apenas uma torcida em um jogo tão emblemático.
“Este ano, a competição sofreu alterações. Teremos apenas um Ba-Vi na final. Por ser um clássico, não é justo que apenas uma torcida assista ao jogo. No torneio passado, ambas as torcidas marcaram presença, e amanhã vamos enviar um ofício ao Ministério Público, ao Governo do Estado, à Secretaria de Segurança Pública e ao comando da PM pedindo que, por ser um Ba-Vi único — um fato novo — tenhamos a torcida mista. Vimos a segurança que a polícia garantiu durante o carnaval e temos certeza de que poderão proporcionar um ambiente seguro para o Ba-Vi”, destacou Mota durante a entrevista.
Histórico de Conflitos nas Arquibancadas
A questão da segurança nos estádios remonta a 9 de abril de 2017, quando um violento confronto entre torcedores resultou na apreensão de 45 pessoas antes de um clássico disputado na Arena Fonte Nova. Após o jogo, um homem perdeu a vida e outro foi baleado durante uma confusão nas proximidades do Dique do Tororó, o que gerou preocupação e repercussões significativas.
Após esses episódios de violência, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) atendeu a uma recomendação do Ministério Público da Bahia, estabelecendo que as edições do Ba-Vi fossem realizadas com torcida única. Essa determinação perdurou por seis jogos, totalizando quase um ano de restrição. Em 2 de fevereiro de 2018, o MP considerou os resultados positivos em relação à segurança e liberou o retorno das duas torcidas aos clássicos.
A Volta da Torcida Mista e os Novos Conflitos
No entanto, o otimismo foi breve. No primeiro Ba-Vi do ano, realizado em 18 de fevereiro de 2018, o que deveria ser um “clássico da paz” acabou se tornando palco de uma nova briga generalizada entre os jogadores no Barradão. Além disso, horas antes da partida, a Polícia Militar registrou um confronto entre torcedores, o que levou o MP-BA a recomendar novamente a limitação de público para torcida única, medida que permanece vigente até hoje.
Com o desejo de voltar a ver ambas as torcidas lado a lado, a proposta de Mota representa uma esperança para os apaixonados por futebol na Bahia. A possibilidade de um clássico sem divisão promete reviver a rivalidade saudável e o espetáculo que o Ba-Vi sempre foi. Resta agora aguardar a resposta das autoridades e saber se a proposta do presidente do Vitória será aceita, permitindo que os torcedores compartilhem a emoção de um dos maiores clássicos do Brasil.

