Iniciativas que Transformam a Realidade das Mulheres nas Ciências
A trajetória da estudante Maria Eduarda de Amaral, ao subir ao palco da final global da Huawei ICT Competition, em 2025, na China, vai muito além de um simples reconhecimento por um projeto tecnológico. O que ela e suas colegas do campus Camaçari do Instituto Federal da Bahia (IFBA) conquistaram com o aplicativo PaceFree, que facilita o deslocamento de pessoas com deficiência visual, é a representação de um cenário em transformação. Esta vitória simboliza um movimento crescente na Bahia, que procura aproximar jovens mulheres das áreas ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas pela sigla STEM. Esses campos ainda são predominantemente masculinos e, infelizmente, a presença feminina continua a ser uma questão desafiadora em todo o mundo.
O reconhecimento internacional do aplicativo PaceFree reflete não apenas o talento de Maria Eduarda, mas também o trabalho conjunto com suas colegas, Lorena Oliveira de Sousa, Isabelle de Jesus Santos Macedo e Gracielle Maria Santos Dias. Juntas, elas mostram que o potencial feminino na tecnologia é vasto, e iniciativas como essa são fundamentais para mostrar que o caminho pode ser diferente.
A Desigualdade de Gênero nas Ciências
Histórias como a de Maria Eduarda revelam uma realidade mais ampla e preocupante. A participação feminina nas áreas de STEM ainda é minoritária. Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, seriam necessários cerca de 300 anos para que a igualdade de gênero fosse plenamente atingida. Em cursos relacionados a ciência e tecnologia, apenas 35% das matrículas são ocupadas por mulheres, conforme informações da ONU. No Brasil, a situação é um pouco mais alentadora nas etapas iniciais da carreira científica, onde 45% das bolsas de iniciação científica do CNPq são concedidas a mulheres. Contudo, essa participação diminui para apenas 28% quando se trata de bolsas de produtividade em pesquisa, que são vistas como posições mais prestigiadas na carreira acadêmica.
A desigualdade de gênero se torna evidente já no ingresso nas universidades. Em 2023, 74% dos ingressantes nos cursos de STEM eram homens, enquanto apenas 26% eram mulheres. Mesmo assim, o interesse feminino pelas áreas científicas tem mostrado um crescimento significativo: entre 2013 e 2023, o número de mulheres que começaram a graduação em áreas STEM saltou de 176 mil para 227 mil, representando um aumento de 29%. Este número é animador, mas ainda demonstra que há um longo caminho a percorrer.
Movimentos Educacionais em Ação
Na Bahia, várias iniciativas educacionais têm se esforçado para encorajar e aumentar o interesse das meninas pela ciência desde a infância. Um exemplo notável é o projeto Meninas Digitais Bahia, vinculado à Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenado pelas professoras Juliana Oliveira, Luma Seixas e Débora Abdalla, do Instituto de Computação. O projeto foi fundado em 2016, em resposta à baixa presença feminina nos cursos de computação. “Nos corredores, notávamos a escassez de meninas, além da representação reduzida de pessoas negras e de outros grupos minoritários. Decidimos tomar medidas para promover a participação das mulheres na computação”, explica Juliana Oliveira.
A proposta do Meninas Digitais é criar um espaço acolhedor e incentivador para que as jovens se sintam à vontade para explorar e se interessar pelas áreas de tecnologia. Através de workshops, palestras e atividades práticas, o projeto tem se mostrado eficaz em aumentar o número de mulheres que buscam seguir carreiras tecnológicas.
Estes desafios e iniciativas têm o potencial de reverter o cenário atual, promovendo um ambiente mais inclusivo e diversificado nas áreas científicas. Portanto, histórias como a de Maria Eduarda não são apenas vitórias pessoais, mas sim um indicativo de que, com apoio e incentivo, é possível transformar o futuro das mulheres na ciência e tecnologia.

