Luciano Ribeiro Solicita Informações ao Governo da Bahia
O deputado estadual Luciano Ribeiro, da legenda União Brasil, anunciou sua intenção de solicitar dados oficiais ao governo da Bahia a respeito do contrato firmado com o Banco Master, visando a antecipação de recursos oriundos de precatórios do Fundef. O pedido será formalizado através da Lei de Acesso à Informação (LAI), com o objetivo de obter informações detalhadas sobre as condições da negociação e o período em que os valores foram disponibilizados ao governo estadual.
A decisão de Ribeiro acontece após a divulgação de informações no Portal da Transparência do Estado, que revelou que o governo de Jerônimo Rodrigues, do Partido dos Trabalhadores (PT), realizou 207 pagamentos ao Banco Master entre os anos de 2023 e fevereiro de 2026. Os dados, que foram inicialmente veiculados na coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, indicam que os repasses totalizaram R$ 49,2 milhões.
Análise dos Pagamentos Relacionados à Anticipação de Precatórios
Conforme os registros, a maior parte dos pagamentos ao banco ocorreu em 2024, somando R$ 47,4 milhões. Essas operações estão atreladas à antecipação de valores que pertencem aos precatórios do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).
O deputado Luciano Ribeiro expressou sua preocupação em obter esclarecimentos sobre as condições financeiras dessa operação, que inclui questões sobre os custos envolvidos e a data exata em que o governo recebeu os recursos antecipados. Ele destacou a importância de entender quando ocorreu a liberação dos valores e a estrutura da negociação realizada.
“Qual o custo desta antecipação com dinheiro da educação e dos professores? Quando se deu a antecipação (dinheiro no caixa do governo)? Se o pagamento foi a partir de 2023, deve ter sido no ano eleitoral. Amanhã vou solicitar estas informações”, enfatizou Ribeiro.
Investigações em Torno do Banco Master
Em meio a esse cenário, o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, também se viu no centro das atenções. Neto confirmou que uma de suas empresas recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos. Esses dados foram obtidos a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que é vinculado ao Banco Central do Brasil. Os repasses ocorreram após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024, e estavam direcionados à empresa A&M Consultoria LTDA, registrada para oferecer serviços na área de consultoria empresarial e apoio educacional.
A situação ganhou destaque nacional, especialmente devido às investigações do Banco Master, que está sob a mira da Polícia Federal (PF) por suspeitas de irregularidades no sistema financeiro. As apurações também investigam as conexões políticas do governador Jerônimo Rodrigues com o banco. As relações entre empresários vinculados ao Banco Master e membros do Partido dos Trabalhadores (PT), como o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, também estão sendo analisadas, especialmente considerando que eles integrarão a chapa “puro sangue” nas eleições de outubro. Além disso, o histórico de venda da rede pública Cesta do Povo, que deu origem ao cartão CredCesta, está entre os pontos de controvérsia relacionados ao banco sob investigação.
Movimentações Financeiras de ACM Neto
Segundo o relatório do Coaf, a empresa de ACM Neto recebeu transferências significativas realizadas pelo Banco Master e pela Reag Investimentos. Esses dados revelam um cenário complexo que envolve questões de transparência e responsabilidade fiscal, especialmente em um momento em que a gestão pública volta suas atenções para a educação e o uso de recursos públicos.

