Maioria dos Empregos na BYD é para Brasileiros
Recentemente, vídeos circularam nas redes sociais afirmando que a montagem de um complexo residencial pela montadora BYD em Camaçari, na Bahia, seria uma ‘cidade chinesa’ sem a presença de trabalhadores brasileiros. Alguns desses conteúdos alegam que 4 mil chineses se mudariam para os novos prédios, enquanto outros chegam a mencionar 10 mil migrantes. Contudo, informações oficiais contradizem essas afirmações, destacando que a maioria dos empregados na fábrica é, de fato, local.
O governo da Bahia estabeleceu um contrato com a BYD que exige a contratação de, no mínimo, 70% de trabalhadores brasileiros para a operação da fábrica. Até o fim de 2025, cerca de 93% do quadro de colaboradores já era composto por profissionais locais.
Contratações e Oportunidades de Emprego
Um dos vídeos analisados apresenta um homem criticando a instalação da BYD com a justificativa de que a empresa não contratou brasileiros. Em outro conteúdo, um usuário diz que os prédios em construção são destinados a 10 mil chineses. “Você traz a BYD com 30 anos de isenção de impostos, R$ 5 bilhões de ajuda e nosso povo desempregado. É uma cidade chinesa”, desabafa um dos internautas.
Contrariando essas declarações, a montadora tem divulgado uma série de oportunidades de emprego para brasileiros. Em julho do ano anterior, a BYD anunciou a abertura de 3 mil vagas para a nova fábrica. Posteriormente, 508 delas foram disponibilizadas na plataforma SineBahia e no Centro de Integração e Apoio ao Trabalhador (CIAT) de Camaçari. A empresa ainda revelou estar em processo de contratação de aproximadamente 500 empregados.
No mês de agosto, a BYD estabeleceu a meta de atingir mais de 50% de nacionalização na produção de partes e peças até 2027, além de lançar a campanha “BYD quer conhecer você”, que visa selecionar fornecedores brasileiros e fomentar uma cadeia de suprimentos local. A fábrica foi inaugurada em outubro, e a primeira das 26 unidades do complexo já estava em operação, empregando mais de 1,5 mil colaboradores. Em dezembro, a montadora anunciou que havia ultrapassado a marca de 2 mil trabalhadores, com o presidente da empresa no Brasil, Tyler Li, destacando que cada nova contratação “gera um impacto positivo na vida das pessoas e no desenvolvimento de Camaçari e da Bahia”.
Mais Oportunidades e Contratação Local
De acordo com informações recentes, a BYD anunciou a abertura de mais 3 mil vagas nos próximos meses, indicando que o número de trabalhadores brasileiros no complexo deverá atingir 10 mil até 2026. A empresa reforçou que a prioridade continua sendo a contratação de mão de obra local, com previsão de criar pelo menos 20 mil empregos diretos e indiretos para brasileiros.
Embora existam profissionais chineses em Camaçari, a montadora esclareceu que essa presença é estratégica, destinada ao apoio técnico na implantação do complexo industrial e treinamento para projetos dessa magnitude. Os funcionários chineses trazem consigo a experiência da primeira fábrica de veículos elétricos que está sendo erguida no Brasil.
Contexto de Denúncias e Condições de Trabalho
Em relação aos “R$ 5 bilhões de ajuda” mencionados em um dos vídeos, é importante esclarecer que esse valor é referente ao investimento feito pela própria empresa na construção do complexo industrial, e não a recursos públicos estaduais ou federais.
Um dos vídeos ainda levanta a questão de possíveis denúncias de trabalho escravo. Um artigo do jornal americano Washington Post reportou condições de trabalho precárias e práticas semelhantes às de escravidão envolvendo trabalhadores chineses em obras do complexo industrial. Contudo, essa situação não é nova. Em dezembro de 2024, uma força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 163 trabalhadores em situação de vulnerabilidade nas obras da BYD e em alojamentos de prestadoras de serviços. Na mesma ação, foram identificados 471 trabalhadores chineses que foram trazidos ao Brasil de maneira irregular.
No mês seguinte, o MTE autuou a BYD por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão na Bahia. Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, várias diligências fiscais foram realizadas, levando à constatação de que a montadora possui responsabilidade direta pela vinda irregular desses trabalhadores, mesmo com a apresentação de contratos com empresas terceirizadas.
Em dezembro, a montadora e duas empresas prestadoras de serviços chegaram a um acordo judicial de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho (MPT), sendo essa quantia destinada a indenizações individuais e coletivas.
Após a BYD escolher Camaçari como sua base de operações nas Américas, as autoridades brasileiras prometeram apoio para concretizar as ambições da montadora, que, por sua vez, se comprometeu a gerar empregos e priorizar empresas regionais. Entretanto, na prática, recorreu a companhias de construção de origem chinesa para o projeto.
Por outro lado, relatos mostram uma significativa presença de trabalhadores brasileiros no local. Um episódio registrado em dezembro de 2025, quando a montadora estava em funcionamento, relatou que operários brasileiros, sob a supervisão de gerentes chineses, realizaram protestos por melhorias nas condições de trabalho, gerando paralisamentos de atividades que envolveram cerca de 2 mil trabalhadores.

