O Cuscuz como Motores da Economia Local
Comemorado nesta quinta-feira (19), o Dia Mundial do Cuscuz não se restringe apenas à celebração de um dos pratos mais icônicos do Nordeste. Este dia destaca também a importância do cuscuz para a geração de renda e o fortalecimento da agricultura familiar. Reconhecido como patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco, o cuscuz tem se mostrado um elemento vital na promoção de cadeias produtivas relacionadas ao beneficiamento do milho na Bahia.
No município de Araci, localizado no Território do Sisal, a Cooperativa de Produção e Comercialização (COOPAC) se destaca como um modelo de sucesso no processamento de milho não transgênico. Sob a marca Parangu, a cooperativa elabora flocão que é utilizado na preparação do cuscuz, um alimento versátil, presente em diferentes refeições ao longo do dia.
Com um investimento superior a R$ 2 milhões proveniente do Governo da Bahia, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), a unidade de processamento foi requalificada, recebeu novos equipamentos e passou a contar com assistência técnica especializada. Atualmente, a produção atinge cerca de 18 toneladas mensais, beneficiando 120 cooperados e criando empregos formais na região.
Esse impulso permitiu que os agricultores deixassem de vender o milho in natura e começassem a investir no processamento, agregando valor ao produto e, consequentemente, aumentando sua renda. O flocão produzido já é comercializado em diversas cidades da Bahia e também em outros estados, ampliando o alcance do produto.
Iniciativas que Transformam Vidas
Outro destaque no cenário da agricultura familiar é a Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), que opera sob a marca Puro Milho. Essa cooperativa produz mensalmente 120 toneladas de flocão não transgênico, incluindo versões feitas a partir do milho tradicional e do milho crioulo vermelho.
Assim como a COOPAC, a Copirecê também recebe suporte do Governo do Estado, totalizando investimentos que ultrapassam R$ 9,7 milhões. Essa estrutura beneficia cerca de 3 mil cooperados e gera 50 empregos diretos, além de oferecer uma ampla gama de produtos derivados do milho, que são distribuídos para diferentes regiões do país.
Essas iniciativas não apenas fortalecem a cadeia produtiva do milho, mas também ressaltam o cuscuz como um símbolo cultural, que vai além da gastronomia. O cuscuz se posiciona como um vetor crucial para o desenvolvimento econômico e inclusão produtiva, especialmente no semiárido baiano. Os benefícios vão além da produção agrícola, impactando a vida de muitas famílias que encontram no cultivo e na comercialização do cuscuz uma oportunidade de melhoria em sua qualidade de vida.
À medida que o Dia Mundial do Cuscuz é celebrado, fica evidente que esse alimento desempenha um papel fundamental na economia local, refletindo como a agricultura familiar pode ser uma força transformadora. A valorização do cuscuz não apenas preserva uma tradição, mas também abre portas para novas oportunidades, consolidando a importância do setor agrícola na construção de uma economia mais robusta e inclusiva no Brasil.

