A Revolução da Bahia Cacau
Com a Páscoa se aproximando, o consumo de chocolate dispara em todo o Brasil e, nesse contexto, a Bahia Cacau se destaca como um modelo exemplar de como a agricultura familiar pode não apenas agregar valor à produção, mas também transformar a vida no campo. Desde 2010, a Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba) tem se empenhado em implantar a primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do país, batizada de Bahia Cacau. Localizada em Ibicaraí, a unidade surgiu com a missão de oferecer não apenas um produto de alta qualidade, com teor de cacau variando entre 35% e 70%, mas também de valorizar a produção de agricultores e agricultoras que habitam as zonas rurais da região.
Graças a investimentos do Governo do Estado, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), que ultrapassaram R$ 5 milhões, a Coopfesba recebeu apoio direto aos produtores, incluindo a entrega de estufas e casas de fermentação, além de assistência técnica constante. Atualmente, a Bahia Cacau produz três toneladas de chocolate mensalmente, com potencial para alcançar até seis toneladas. Essa produção se complementa com cerca de 25 toneladas de nibs de cacau, possibilitando a criação de uma ampla gama de produtos, como barras, bombons, licores, geleias e até mel de cacau.
Transformação na Vida do Agricultor
Os impactos dessa iniciativa foram significativos. O diretor financeiro da Bahia Cacau, Osaná Crisóstomo, enfatiza que as políticas públicas e o acesso a tecnologias têm um papel fundamental na vida dos agricultores. “O que antes representava uma renda de um salário mínimo, hoje pode chegar a quatro vezes esse valor, garantindo mais dignidade às famílias do campo. Em 2025, o faturamento deve se aproximar de R$ 2 milhões”, destacou Crisóstomo.
A estabilidade na renda dos cooperados é uma preocupação central, especialmente em um mercado onde o preço do cacau é influenciado por fatores internacionais. “Definimos um preço mínimo para a compra das amêndoas de qualidade tipo 1, o que assegura que os produtores consigam cobrir seus custos e sustentar suas famílias”, explicou, ressaltando a importância dessa estratégia no fortalecimento da produção local.
Oportunidades e Geração de Emprego
A fábrica não apenas transformou a produção agrícola, mas também gerou empregos na região. Raimundo Farias Neto, natural de Ibicaraí, exemplifica o impacto positivo da Bahia Cacau em sua vida. Ele se mudou de volta para a cidade em 2014 e, após saber da abertura da fábrica, enviou seu currículo e foi contratado. “Comecei como operador de máquinas e hoje sou supervisor de fabricação”, compartilhou, enfatizando que o crescimento da indústria de chocolate é um incentivo à permanência da população no interior baiano.
Atualmente, a Coopfesba emprega 12 funcionários com carteira assinada e mantém 104 associados. A cooperativa tem consolidado sua presença no mercado com produtos como barras de chocolate que variam entre 35% e 70% de teor de cacau, além de bombons, nibs e opções especiais, como as que incorporam especiarias regionais. Todos os produtos são elaborados sem conservantes, destacando o alto teor de cacau e preservando a identidade artesanal e territorial da produção.
Em resumo, a Bahia Cacau não apenas simboliza uma revolução no setor agrícola local, mas também é um pilar importante na promoção de desenvolvimento sustentável e valorização do trabalho dos agricultores familiares. À medida que a produção de chocolate cresce, as histórias de sucesso e transformação da vida no campo tornam-se cada vez mais inspiradoras.

