Força-Tarefa Mobiliza Recursos e Especialistas
O Governo do Brasil está intensificando suas ações para conter o avanço da chikungunya em Dourados (MS), onde um aumento significativo dos casos levou à declaração de emergência. Para enfrentar essa crise, foi formada uma força-tarefa interministerial que engloba saúde, assistência, defesa civil e suporte logístico. Essa mobilização busca atender especialmente as comunidades indígenas, que estão entre as mais afetadas pela doença.
Como parte desta resposta, o Governo Federal anunciou a liberação de mais de R$ 3,1 milhões em recursos emergenciais. Desses, R$ 1,3 milhão foram autorizados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e serão utilizados para ações humanitárias, oferecendo apoio direto à população e fortalecendo as estruturas locais de atendimento. Além disso, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil aprovou um plano de trabalho no valor de R$ 974,1 mil, destinado ao restabelecimento de serviços essenciais como limpeza urbana e remoção de resíduos.
Fortalecimento das Ações em Saúde
O Ministério da Saúde também entrou em ação, transferindo R$ 855,3 mil para Dourados, a fim de custear atividades de vigilância e controle da chikungunya na região. Desde março, o ministério tem coordenado uma resposta sistemática, mobilizando a Força Nacional do SUS e reforçando as equipes de assistência e vigilância sanitária. Ações incluem busca ativa de casos, visitas domiciliares e eliminação de criadouros do mosquito transmissor.
Com uma equipe de 40 profissionais na Força Nacional do SUS, que já realizou 1.288 atendimentos e 225 visitas domiciliares, a estratégia busca garantir assistência à população vulnerável, incluindo as comunidades indígenas. O apoio da Secretaria de Estado da Saúde de Mato Grosso do Sul é essencial nesse processo, pois contribui para reorganizar os fluxos assistenciais e ampliar a cobertura das ações de saúde.
Medidas de Controle Vetorial e Prevenção
Para combater o vetor da chikungunya, que é o mosquito Aedes aegypti, foram intensificadas as ações de controle, com aproximadamente 95 profissionais mobilizados. Entre 9 e 16 de março, foram inspecionados 4.319 imóveis, resultando no tratamento de 2.173 propriedades e na identificação de 1.004 focos do mosquito. Inseticidas foram aplicados em áreas de maior circulação, como escolas e unidades de saúde, para prevenir novas infecções.
O Ministério da Saúde também destinou 1.000 Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) para a região, com as primeiras 300 unidades já instaladas em áreas prioritárias. Além disso, a Fiocruz enviou medicamentos para o tratamento da dor, ajudando a suprir a demanda local diante da epidemia.
Apoio às Comunidades Indígenas e Cenário Epidemiológico
Reconhecendo as necessidades específicas das comunidades indígenas em Dourados, a Funai implementou ações de apoio direto, focando em segurança alimentar e acesso à água. Serão distribuídas 6 mil cestas de alimentos em três etapas, em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento Social e outras entidades. A ampliação do sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó é uma prioridade, visando garantir acesso à água potável e melhorar as condições sanitárias.
Até 2 de abril, o cenário epidemiológico em Dourados indicava 2.812 notificações de chikungunya, com 1.198 confirmações e 430 casos descartados. A maioria das confirmações foi registrada nas aldeias indígenas, representando 68,6% do total. Infelizmente, foram confirmados cinco óbitos, todos entre a população indígena.
Coordenação e Comunicação Eficiente
Para integrar esforços e coordenar as ações, o Ministério da Saúde estabeleceu uma Sala de Situação em Brasília. Reuniões periódicas garantem um monitoramento contínuo e a troca de informações entre equipes técnicas e gestores. O envio de mensagens de prevenção via WhatsApp a mais de 234 mil moradores, em português e tradução para línguas indígenas, é uma estratégia para ampliar a conscientização sobre a prevenção da chikungunya.
As ações de saúde incluem capacitação de profissionais e a implementação de protocolos específicos para o diagnóstico e manejo da doença. O objetivo é melhorar a assistência e garantir uma resposta eficaz à epidemia.

