Inovação no Cultivo de Cacau em São Paulo
Apesar de representar uma fatia inferior a 4% da produção nacional de cacau, São Paulo almeja conquistar território neste setor com o respaldo da ciência e da tecnologia. O Plano Cacau 360 surge como uma iniciativa promissora, com o propósito de elevar a produtividade e tornar toda a cadeia produtiva mais sustentável.
Idealizado pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), com o suporte da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio, o projeto congrega 91 pesquisadores oriundos de 11 instituições diferentes, formando uma ampla rede de colaboração.
Tradicionalmente, o cultivo de cacau no Brasil está concentrado nas regiões Norte e Nordeste, especialmente nos estados do Pará e da Bahia. No entanto, São Paulo, que ainda possui uma participação modesta, vê nesta iniciativa uma oportunidade para explorar o potencial de áreas consideradas não convencionais para a cultura do cacau.
“Acredito que o projeto terá um impacto transversal no agricultor. Contamos com cinco plataformas, incluindo uma voltada para o cultivo do cacau em áreas não convencionais, algo que difere do sistema tradicional conhecido como cabruca”, afirma Valdecir Luccas, pesquisador do Ital/Apta/SAA, que lidera a coordenação do Cacau 360.
Objetivos e Estratégias do Projeto
A proposta do Projeto Cacau 360 visa implementar um modelo de produção integrado, que incorpora sistemas agroflorestais e cultivo em pleno sol. Entre as metas está a identificação de clones mais produtivos, a melhoria no manejo agrícola e a elevação da produtividade para até 2 mil quilos de amêndoas secas por hectare. Esse volume poderá ser até cinco vezes maior em comparação aos sistemas tradicionais.
Outro aspecto crucial do projeto reside no processo de fermentação do cacau, uma etapa que, atualmente, se revela um dos principais entraves da cadeia produtiva. A falta de padronização nesta fase afeta diretamente a qualidade do cacau disponível no mercado. Através da implementação de protocolos mais eficientes, há a expectativa de minimizar perdas e assegurar uma matéria-prima com qualidade mais uniforme.
Aproveitamento Sustentável do Cacau
Conforme Luccas, atualmente, cerca de 70% do peso do cacau é composto por casca, um subproduto que ainda carece de valorização. A pesquisa pretende transformar esse material em fontes de compostos bioativos e promover a utilização da polpa, do mel do cacau e de outras partes do fruto, com o intuito de agregar valor e criar novas fontes de renda para os produtores.
Esses subprodutos serão fundamentais no desenvolvimento de novos alimentos, priorizando saudabilidade, sabor e inovação, agradando ao consumidor moderno.
Os pesquisadores também planejam mapear áreas de cultivo para avaliar a presença de contaminantes químicos, metais pesados e condições microbiológicas, a fim de garantir matérias-primas mais seguras para a indústria.
Fortalecimento da Competitividade no Setor
Atualmente, o Brasil enfrenta desafios como baixa produção e dependência de importações, mas o objetivo é promover uma cadeia produtiva mais sustentável e competitiva. “Hoje, o Brasil importa cacau da África do Sul e também da Bahia e Pará, mas ao cultivar cacau aqui em São Paulo, a logística se torna significativamente mais simples e os custos menores. É em São Paulo que se concentra um grande número de indústrias de chocolates e produtos derivados”, ressalta Luccas.
Com a implementação dessas ações integradas, a expectativa é não apenas viabilizar, mas também acelerar a transferência de inovações e tecnologias para o setor industrial, assegurando que esses avanços cheguem rapidamente ao consumidor, fortalecendo a produção local.

