Condenações no Caso de Mãe Bernadete
A Justiça da Bahia proferiu nesta terça-feira uma sentença contundente contra os acusados de assassinato de Maria Bernadete Pacífico Moreira, popularmente conhecida como Mãe Bernadete. Arielson da Conceição dos Santos foi sentenciado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, enquanto Marílio dos Santos, que se encontra foragido, recebeu uma pena de 29 anos e 9 meses. O crime ocorreu em agosto de 2023 e chocou a comunidade quilombola e a sociedade em geral.
O júri, realizado no Fórum Ruy Barbosa em Salvador, foi composto por sete jurados e se estendeu por dois dias. Os réus foram considerados culpados por homicídio qualificado, motivado por razões torpes, e pelo uso de meio cruel, com a vítima sem possibilidade de defesa. Além disso, foi citado o uso de uma arma de uso restrito no crime.
Mãe Bernadete era uma figura proeminente no Quilombo Pitanga dos Palmares, onde exercia sua função de yalorixá e lutava incessantemente pelos direitos da comunidade. Era conhecida por se opor às ameaças de grileiros e madeireiros que pretendiam explorar ilegalmente os 854,2 hectares de terras que pertenciam à sua comunidade. Segundo o Ministério Público da Bahia, seu assassinato foi uma retaliação a sua resistência contra um grupo que visava construir um ponto de venda de drogas no local.
Suspeitos e Investigações em Andamento
No total, cinco homens foram denunciados pelo assassinato, entre eles os dois que foram condenados. Os outros denunciados são Ydney Carlos dos Santos de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Sérgio Ferreira, este último padrasto de Marílio dos Santos. Sérgio é suspeito de ter fornecido informações e orientações que provaram úteis aos autores do crime. As investigações ainda buscam um sexto indivíduo, Carlos Conceição Santiago, que estaria armazenando as armas utilizadas durante o assassinato.
Até o momento, as autoridades conseguiram prender quatro dos suspeitos envolvidos, enquanto outros dois permanecem foragidos. Estes indivíduos são parte do “Baralho do Crime”, uma lista da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) que compila os criminosos mais procurados do estado. Entre os foragidos estão três que deverão ser submetidos a júri popular.
Um Ciclo de Violência: O Caso do Filho de Mãe Bernadete
O assassinato de Mãe Bernadete não é um episódio isolado. Ele se conecta a outra tragédia que atingiu sua família: em 2017, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, mais conhecido como Binho do Quilombo, foi assassinado a tiros na mesma comunidade. Seu caso, que também envolveu a violência contra líderes quilombolas, foi federalizado devido à ineficácia da Polícia Civil da Bahia em avançar nas investigações. Até hoje, não houve um desfecho para o assassinato de Binho, que deixou Mãe Bernadete em uma luta constante por justiça, cobrando respostas que nunca chegaram.
Esses incidentes evidenciam a grave situação de segurança e a vulnerabilidade que líderes quilombolas enfrentam na Bahia, refletindo um contexto mais amplo de discriminação e violência contra comunidades tradicionais. Enquanto a luta por justiça continua, a memória de Mãe Bernadete e seu legado de resistência perduram entre os que ainda buscam dignidade e respeito em suas terras.

