Iniciativa Promove Masculinidade Saudável na Bahia
A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) está prestes a votar um projeto que pode se transformar em lei, instituindo a Política Estadual de Promoção de Masculinidades Saudáveis e Antissexistas. Proposto pelo deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), a ideia é inspirada por uma iniciativa semelhante de Hamilton Assis (PSOL), que também tramita na capital. A proposta visa desconstruir estereótipos de masculinidade que fomentam violência, sexismo, racismo, homofobia e capacitismo, promovendo a equidade de gênero e uma cultura de paz.
Essa medida surge em resposta ao crescente debate acerca da chamada cultura “redpill”, um conceito que tem ganhado notoriedade na internet, geralmente associado à defesa de uma masculinidade tóxica e à perpetuação de hierarquias de gênero que alimentam o ódio contra mulheres.
Ações Educativas e Projetos Culturais
O projeto de Hilton Coelho prevê a implementação de ações educativas nas escolas, tanto públicas quanto privadas, voltadas à formação de estudantes e profissionais da educação no combate à misoginia. As ações incluem a promoção de rodas de conversa, oficinas e grupos reflexivos sobre a masculinidade, especialmente direcionadas a adolescentes e jovens em vulnerabilidade social.
Além disso, a proposta também contempla o apoio a projetos culturais, esportivos e sociais, bem como a produção e divulgação de campanhas educativas e conteúdos digitais que abordem o tema da masculinidade de maneira saudável.
Dados Alarmantes sobre Feminicídio
Para embasar sua proposta, Hilton Coelho apresentou dados alarmantes sobre feminicídios na Bahia. Entre 2017 e 2024, o estado registrou 790 casos de feminicídio, o que representa uma média de uma mulher morta a cada três dias em decorrência da violência de gênero. Em 2024, já foram contabilizados 111 feminicídios. Em uma análise comparativa, a taxa de feminicídio em 2024 foi de 1,4 para cada 100 mil mulheres, um aumento em relação à média de 2017, que era de 1 por 100 mil.
Integração com Políticas Públicas
O texto do projeto estabelece que a política de promoção de masculinidades deve ser integrada a diversas áreas, incluindo saúde, assistência social, cultura, juventude e direitos humanos. Para a execução dessas ações, o Poder Executivo poderá estabelecer parcerias com universidades, organizações da sociedade civil, coletivos culturais e instituições de pesquisa.
Na justificativa da proposta, o deputado destaca que os padrões tradicionais de masculinidade são um dos principais fatores que contribuem para a desigualdade de gênero e a perpetuação de comportamentos violentos na sociedade. “Quando falamos em ‘masculinidade tóxica’, não estamos nos referindo à figura do homem, mas à forma como ele foi moldado a se comportar”, disse o deputado.
Reflexão e Empatia para Redução da Violência
A proposta busca não apenas a mudança de comportamentos, mas também a promoção de uma reflexão crítica sobre masculinidade, estimulando empatia e novas formas de expressão. De acordo com Coelho, “temos um pensamento enraizado na sociedade que acredita que o endurecimento das leis resolverá os problemas. Contudo, os números de feminicídio são alarmantes, mesmo com uma legislação mais rigorosa. É essencial focar na educação e na formação social”.
Coelho defende que a realização de debates e atividades educativas, especialmente em ambientes escolares, permitirá uma mudança nos valores que permeiam a sociedade.
Caso o projeto seja aprovado, a regulamentação ficará a cargo do Poder Executivo, que deverá estabelecer as diretrizes em até 90 dias após a sanção da lei. Antes disso, a proposta ainda precisa passar por aprovação nas comissões da Alba e ser apreciada no plenário.

