Operação Reveladora no Rio de Janeiro
O traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, emergiu como a figura central de uma operação policial realizada no dia 20 de novembro, no Rio de Janeiro. De acordo com investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), ele estaria negociando sua fuga de um presídio na Bahia com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, do PSDB. O valor acordado para facilitar sua saída? R$ 2 milhões. Este montante deveria ser pago ao político em dezembro de 2024, conforme documentos obtidos pela promotoria, que solicitou a prisão de ambos.
Uldurico Júnior foi preso durante a operação em Praia do Forte, um famoso destino turístico em Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador. Por outro lado, Ednaldo permanece foragido até o fechamento desta matéria.
O traficante Dada é reconhecido como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) e tem vínculos diretos com o tráfico de drogas nas regiões de Caraíva e Trancoso, áreas muito visitadas em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. A operação contra o Comando Vermelho (CV), facção com a qual Dada mantinha aliança, resultou na prisão de uma mulher e na captura em flagrante de dois homens, provocando pânico entre os moradores locais, devido ao intenso tiroteio. Cerca de 200 turistas ficaram isolados e sem segurança no Morro Dois Irmãos durante a manhã do evento.
Monitoramento e Fuga Planejada
A ação da Polícia Civil foi desencadeada a partir de um monitoramento detalhado do MP baiano, que localizou Dada. Investigadores alegam que, após a fuga planejada para 2024, o traficante se escondeu na Rocinha, em São Conrado, e nos últimos dias, alugou uma casa no Vidigal, onde recebeu familiares e amigos em uma festa no feriadão de Tiradentes, abandonando aqueles que estavam próximos na fuga.
A operação também mirou Wallas Souza Soares, conhecido como “Patola”, que é suspeito de ser um dos líderes da facção junto a Dada. No entanto, ele não foi encontrado no Conjunto Penal de Eunápolis durante a ação, e sua esposa, Núbia Santos de Oliveira, foi presa. Núbia, também procurada, é apontada como responsável pela parte financeira da organização criminosa.
Outros indivíduos detidos incluem Patrick Cesar Tobias Xavier, encontrado com mochilas recheadas de drogas e um rádio comunicador, além de Christian Fernandes Rodrigues da Silva, que portava um fuzil e uma pistola com numeração raspada.
Negociações para a Fuga
As investigações revelam que a fuga de Ednaldo Pereira Souza ocorreu na noite de 12 de dezembro de 2024, facilitada pela então diretora do presídio, Joneuma Silva Neres. Após implicações de Joneuma em um acordo de delação premiada, ela detalhou a conexão com Uldurico Júnior, enfatizando que o ex-deputado tinha um relacionamento amoroso com ela e frequentemente pedia encontros com líderes de facções, incluindo Dada.
O ex-deputado teria feito pressão sobre Joneuma após sua derrota nas eleições para prefeito de Teixeira de Freitas, buscando maneiras de conseguir dinheiro para saldar dívidas. O plano de fuga, com o adiantamento de R$ 200 mil, foi discutido em encontros clandestinos entre Joneuma, Uldurico e um representante de Dada.
Consequências da Fuga em Massa
A fuga em dezembro repercutiu amplamente e, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), os detentos escaparam por volta das 23h. A ação foi marcada pela violência, já que um grupo armado invadiu o presídio, permitindo que os detentos escapassem. Durante o tumulto, um cão de guarda foi morto, e armamentos foram deixados para trás.
Dos 16 fugitivos, apenas três foram recapturados até o momento: Anailton Souza Santos, morto em confronto em 2025; Valtinei dos Santos Lima, detido em 2025; e Rubens Lourenço dos Santos, falecido durante uma operação policial no Rio de Janeiro.
Defesas e Reações
A defesa de Uldurico Júnior nega todas as acusações ligadas à delação, afirmando que são falsas e buscam desviar a responsabilidade. “Uldurico jamais teve conhecimento de qualquer plano de fuga e está colaborando com a Justiça”, informou sua defesa. O pai de Uldurico também solicitou acesso aos autos da delação para refutar as alegações.

