O Impacto da inteligência artificial no Mercado de Trabalho
A inteligência artificial (IA) transformou-se em uma habilidade imprescindível não só para especialistas, mas está moldando o conceito de empregabilidade no Brasil. Um estudo realizado pelo Infojobs revela que o número de vagas relacionadas à IA cresceu 65% em apenas um ano, superando a marca de duas mil oportunidades em 2025. Essa crescente demanda se espalha por setores como marketing, vendas, recursos humanos e administração, sinalizando que a falta de conhecimento em IA pode se tornar um obstáculo na trajetória profissional.
Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, controladora do Infojobs, destaca que “a mudança de mentalidade vem com o conceito de IA first [IA primeiro]”. Segundo Patricia, as organizações estão em busca de profissionais que unam conhecimento básico em dados e inteligência artificial a um bom entendimento dos negócios. “A IA deixou de ser um conhecimento restrito às áreas técnicas e agora é uma habilidade necessária em diversas funções”, complementa.
A Integração da IA no Dia a Dia Profissional
No cotidiano de diversas áreas, o uso de ferramentas de IA já se tornou comum. Profissionais de marketing, por exemplo, são cada vez mais solicitados a personalizar campanhas e a realizar análises de mercado com o suporte de algoritmos. No setor de vendas, a tecnologia é empregada para prever resultados e automatizar processos, enquanto no departamento de recursos humanos, suas aplicações vão de recrutamento à avaliação de desempenho.
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Os dados refletem uma clara evolução nesse cenário. Em 2024, a predominância de vagas estava entre especialistas, mas a situação mudou em 2025, com uma distribuição mais equitativa entre analistas, assistentes e estagiários. Essa transformação mostra que a inteligência artificial não apenas gera novas funções, mas também altera as responsabilidades em ocupações já existentes.
salários em Alta: O Reflexo da Inteligência Artificial
Esse movimento traz reflexos diretos nos salários. Cargos técnicos ainda lideram a lista de remunerações, com médias em torno de R$ 10 mil para especialistas. Já posições de analista têm uma média de R$ 5.100. Patricia Suzuki explica que “a IA introduz uma nova camada no mercado: profissionais que não desenvolvem a tecnologia, mas que sabem utilizá-la no contexto do negócio”.
A especialista Ana Paula Prado, também da Redarbor, ressalta que a valorização das habilidades vai muito além de um aumento pontual de salário. “A presença da inteligência artificial redefine a própria empregabilidade. O verdadeiro risco não é a tecnologia em si, mas a falta de preparo para utilizá-la de forma estratégica”, defende.
Elaine Coimbra, vice-presidente de Comunicação da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (Abria), observa que o domínio da IA já está se tornando uma exigência básica em diversas ocupações. “Saber trabalhar com ferramentas de IA, automatizar tarefas e interpretar resultados criticamente está se tornando parte do pacote básico de empregabilidade”, afirma.
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Desafios da Formação Profissional e o Futuro do Emprego
O ritmo acelerado da transformação traz desafios. A formação profissional ainda não acompanha a velocidade da demanda, resultando em um cenário de escassez, especialmente em posições mais técnicas, como cientistas de dados e engenheiros de IA. “Não é um cenário de apagão, mas há um desequilíbrio evidente entre oferta e demanda”, comenta Suzuki.
As empresas estão reagindo com estratégias diversas: algumas investem em capacitação interna, enquanto outras flexibilizam os critérios de contratação, priorizando potencial e habilidades transferíveis. A ampliação das vagas em níveis iniciais mostra uma aposta no desenvolvimento de talentos a longo prazo.
Habilidades que Contam na Era da Inteligência Artificial
Para quem deseja adaptar-se a essa nova realidade, especialistas apontam três áreas fundamentais: alfabetização em dados e IA, capacidade analítica e uma sólida visão de negócios. “Não é imprescindível ter conhecimentos técnicos avançados. O mais crucial é entender como aplicar a IA para causar um impacto positivo”, conclui Suzuki.
Além das habilidades técnicas, as competências comportamentais estão se tornando cada vez mais valorizadas. Relatórios do World Economic Forum evidenciam que habilidades como pensamento crítico, criatividade, resiliência e aprendizado contínuo são as mais procuradas. O paradoxo é claro: quanto mais a tecnologia avança, maior se torna a relevância de capacidades humanas que não podem ser facilmente automatizadas.
A presença de vagas em diferentes níveis hierárquicos indica que a entrada no universo da IA pode ocorrer ao longo de toda a carreira profissional. Embora cursos rápidos e certificações sejam úteis, especialistas alertam que não são suficientes por si só. A combinação entre formação contínua e experiência prática é essencial para sustentar a evolução no médio e longo prazo.
Por fim, no centro dessa transformação está uma reestruturação no mercado de trabalho. A inteligência artificial não apenas substitui tarefas, mas redefine competências, reestrutura carreiras e estabelece novos critérios de relevância profissional, fazendo da qualificação não apenas um diferencial competitivo, mas uma condição essencial para acompanhar as mudanças do mercado.

