Festa Secreta e Fuga Planejada
Imagens divulgadas pelo programa Fantástico da TV Globo revelam que traficantes do Vidigal realizaram uma festa extravagante no fim de semana anterior à operação policial que visava prender um criminoso baiano. A celebração era em homenagem à filha de três anos de Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dáda. Enquanto os convidados se divertiam com whiskey, pula-pula e algodão-doce, os fuzis que usavam para o tráfico estavam escondidos em uma sala. Surpreendentemente, os criminosos abandonaram a casa apenas três horas antes da chegada das autoridades.
Fabrício Oliveira, delegado da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), comentou sobre a seriedade nas operações: “Temos um histórico que demonstra nossa capacidade de planejar e executar ações de combate ao crime”, afirmou, reforçando o compromisso da polícia com a segurança pública.
Passagens Secretas e Estrategistas do Crime
A residência utilizada pelos traficantes possuía uma passagem secreta que permitiu a fuga de Dáda. Ao inspecionar o local, os policiais encontraram um buraco camuflado por um muro de tijolos e encanamento, facilitando a evasão do criminoso. O Ministério Público informou que Dáda havia rompido as barreiras da prisão na Bahia em 2024 e se refugiou na cidade do Rio de Janeiro, inicialmente na Rocinha. Recentemente, ele alugou uma casa luxuosa no Vidigal para se esconder e celebrar o feriado com amigos e familiares.
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Além de Dáda, outro criminoso, identificado como Wallas de Souza Soares, conhecido como “Patola”, também fugiu durante a operação. Patola era um dos líderes do Primeiro Comando de Eunápolis, contando com dois mandados de prisão ativos. Por outro lado, sua esposa, Núbia Santos Oliveira, foi presa sob acusações de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ela é considerada uma operadora financeira do PCE (Primeiro Comando da Capital), responsável por gerenciar recursos ilícitos e a logística da facção criminosa.
Prisões e Equipamentos Apreendidos
No decorrer da operação, as autoridades conseguiram capturar três indivíduos. Um deles, Patrick Cesar Tobias Xavier, conhecido como “Bart”, foi encontrado em posse de mochilas repletas de drogas, roupas camufladas e um rádio comunicador. Ao ser abordado, Bart tentou enganar os policiais apresentando documentos falsos que o identificavam como outra pessoa. Ele estava foragido com um mandado de prisão expedido pela Justiça de Goiás e é monitorado pelo Projeto Captura, um programa do Ministério da Justiça que rastreia indivíduos de alta periculosidade envolvidos com o crime organizado.
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A segunda prisão foi a de Christian Fernandes Rodrigues da Silva, natural de Minas Gerais, que foi pego em flagrante com um fuzil Colt calibre 5,56 e uma pistola Canik calibre 9 mm, cuja numeração estava raspada. Esses apreensões evidenciam a complexidade do problema do tráfico de drogas e a ousadia dos criminosos em operar em áreas densamente povoadas.
Histórico Criminal e Impunidade
O alvo primordial da operação, Ednaldo Pereira Souza, possui um extenso histórico criminal, com duas condenações. Ele foi sentenciado a 22 anos de prisão por homicídio e recebeu outras 26 anos por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. Após conseguir escapar de um presídio na Bahia em 13 de outubro de 2024, sua captura continua sendo um desafio para as autoridades. Esse caso destaca as falhas no sistema de segurança e as estratégias complexas empregadas pelos criminosos, levantando questionamentos sobre o futuro da segurança pública nas comunidades afetadas pelo tráfico.

