A Arte e o Conhecimento se Encontram na Biblioteca Central
O segundo dia do Encontro Baiano de Livro, Leitura e Memória, em comemoração aos 40 anos da Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult-BA), foi marcado por uma rica programação de intervenções artísticas, painéis e oficinas que atraíram um público diversificado. Na terça-feira, 28, a Biblioteca Central do Estado da Bahia tornou-se o palco para um verdadeiro festival de cultura e aprendizado.
O evento começou com a apresentação do grupo A Pombagem, que trouxe um espetáculo vibrante, destacando a arte que emerge das ruas e favelas da Bahia. O grupo, com sua energia contagiante, cativou a plateia, estabelecendo o tom para o restante do dia.
Na sequência, o painel intitulado “Falas Inspiradoras” foi mediado pelo diretor-geral da FPC, Sandro Magalhães. O debate contou com a participação de renomados especialistas, como a historiadora Wlamyra Albuquerque, reconhecida nacionalmente por seus estudos sobre escravidão e pós-abolição; a professora Henriette Gomes, uma autoridade na área de Ciência da Informação; o professor Arivaldo Sacramento, que atuou em linguística e estudos de gênero; e o jornalista e escritor Ricardo Ishmael.
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Os participantes discutiram o papel fundamental dos livros, da leitura e da memória na criação de uma sociedade mais crítica e inclusiva. “O trabalho que Sandro e sua equipe têm realizado na FPC é verdadeiramente revolucionário. Nós, escritores, estamos testemunhando essa transformação em diversos eventos literários na Bahia. Há um esforço evidente em descentralizar recursos e torná-los acessíveis aos agentes culturais locais,” destacou Ishmael, ressaltando a importância da interiorização dos recursos.
Oficinas: Aprendizado e Diversidade de Temas
O dia também contou com 11 oficinas simultâneas, reunindo cerca de 300 participantes de várias partes do estado em diferentes ambientes da biblioteca. Essas oficinas abordaram temas variados, favorecendo a troca de experiências e conhecimento.
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Uma das participantes, Josileide Santos, veio de Ichu, na Bahia, para a oficina “Como Contar e Encantar Histórias”, apresentada por Patrícia Almeida. “Atuo com crianças, adolescentes e idosos. Estou aqui para aprimorar meus conhecimentos e buscar novas ideias para fortalecer a biblioteca pública da minha cidade, a Biblioteca Padre Leopoldo Garcia”, afirmou.
Outra oficina que se destacou foi “Pequenos Restauros em Papel”, conduzida por Renato Carvalho, do Iphan. A atividade atraiu aqueles interessados em técnicas de recuperação de livros e documentos. “Existem diversas técnicas. É uma descoberta a cada exame de um livro, onde exploramos a melhor abordagem, como velatura ou reenfibragem,” detalhou Carvalho.
Ele ainda ressaltou a relevância de seu trabalho, que é essencial para o tombamento de terreiros de candomblé e comunidades quilombolas. Com a chegada do VLT, documentos que estavam armazenados na rede ferroviária da Calçada foram transferidos para o Iphan, onde receberam o devido tratamento e conservação. “Esses documentos foram fundamentais para o tombamento de 11 terreiros de candomblé, com outros ainda em fase de estudo,” completou Carvalho.
Encerramento Musical com Lazzo Matumbi e Satyra Carvalho
Após um dia repleto de aprendizado e troca de experiências, a festa continuou com a apresentação da cantora Satyra Carvalho, que animou os presentes com um repertório que mesclou axé e MPB. Para encerrar a noite em grande estilo, Satyra fez uma participação especial ao lado do cantor Lazzo Matumbi, que impressionou a todos com sua interpretação poderosa de sucessos como “14 de maio” e “Me Abraça e Me Beija”.
O Encontro Baiano de Livro, Leitura e Memória se mostra, assim, como um espaço não apenas para o fomento da leitura, mas também para a celebração da cultura e da arte, reforçando o compromisso da Fundação Pedro Calmon com a educação e a memória coletiva da Bahia.

