Derrota do Bahia e análise de Rogério Ceni
O Bahia sofreu três gols em um intervalo curto de 12 minutos na última partida, resultado que preocupa o técnico Rogério Ceni. O goleiro Léo Vieira, que saiu de campo machucado na primeira etapa, foi alvo de críticas após falhas que resultaram em gols, especialmente após uma atuação abaixo do esperado diante do Remo, em março. Ceni, no entanto, defendeu o arqueiro e destacou que os erros foram coletivos.
“São situações atípicas. Ele entrou durante dois jogos sempre no fim do primeiro tempo. Posso dizer pela minha experiência como goleiro, é difícil. Acho que entrar desde o começo do jogo pode favorecer a ele. E repito que foram erros coletivos. Mas temos que seguir. Ele não pode se abater. Todo mundo tem que se ajudar dentro de campo. É um momento de dificuldade, oito jogos sem vencer é pesado. Mas não sei de nenhuma maneira de sair, sem ser dentro de campo”, afirmou o treinador.
Desempenho da equipe e falhas durante a partida
Ceni avaliou que o time teve um bom primeiro tempo, controlando o jogo e saindo na frente do placar, apesar das escolhas questionáveis em algumas jogadas. O treinador ressaltou que a equipe cedeu gols de forma muito fácil na etapa final, o que comprometeu o resultado.
“Fizemos um bom primeiro tempo, baixamos um pouco as linhas, Roman Gomez teve trabalho defensivo importante segurando Breno Lopes na puxada de contra-ataque. Fizemos o gol, mas não fizemos as melhores escolhas, rifamos muitas bolas. Willian José teve espaço para receber essas bolas, não fizemos as melhores escolhas, é um problema que o time tem. Mesmo assim controlamos bem o primeiro tempo e saímos vencendo. No segundo tempo começamos marcando bem, mas a gente cede os gols de maneira muito fácil”, destacou.
O treinador disse que o primeiro gol foi resultado de um erro coletivo após uma bola parada, seguido por um segundo gol em cruzamento e um terceiro que fugiu do padrão defensivo adotado na partida. “Depois de dois gols, começamos a dar essa transição para eles. Aí ficou o jogo que o Coritiba gosta. Mas fizemos um primeiro tempo justo, bem jogado. Infelizmente os gols que entregamos muito fácil estragaram a vantagem que construímos”, completou.
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Preparação para o próximo desafio e reflexões para o futuro
Com cinco dias até o próximo jogo contra o Botafogo, na Arena Fonte Nova, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, Ceni reconhece a necessidade de repensar algumas questões no elenco e na forma de jogar. O confronto é o último antes da pausa para a Copa do Mundo, momento que o clube pretende usar para ajustes táticos e físicos.
“Pode ser a falta de confiança. Acho que é um time que se incentiva bastante, grita muito no vestiário. Hoje foi uma desatenção coletiva nos dois primeiros gols. O terceiro gol é difícil de marcar, mesmo sabendo que é o forte deles. Nos dois primeiros a gente poderia ter um comportamento defensivo melhor. Talvez entre um pouco da falta de confiança. Não sei o que dizer, a gente produz, mas cede muito fácil os gols aos adversários”, avaliou.
Sobre possíveis mudanças no elenco, o técnico ressaltou que o futebol tem custos e que ajustes são naturais, com chegadas e saídas de jogadores. “Mas lógico que algumas coisas temos que repensar. Jogadores vão chegar, podem haver algumas saídas, faz parte do processo. Mas é um time que joga, contra o Santos mereceu ganhar o jogo, contra o Grêmio mereceu ganhar o jogo”, afirmou.
Blindagem mental e importância da pausa para a Copa
Ceni comentou que não é possível blindar emocionalmente os atletas, mas que a confiança é fundamental para o momento delicado que o Bahia atravessa, especialmente após oito jogos sem vitória. A pausa para a Copa do Mundo surge como oportunidade para recuperação física e ajustes técnicos.
“Blindar não tem como. Cada um é exposto por suas emoções. Temos que ter confiança em nós mesmos, saber que praticamos bom futebol. Acho que a parada vai ser fundamental, tentar um ganho físico, ajustes táticos. A parada passa a ser fundamental pelo momento, pelos resultados. Mesmo jogando bem a gente não vem tendo resultados positivos. Mas é fundamental vencer esse jogo antes da parada. Não só pelo mental, mas por pontuação mesmo, todo mundo encostou na tabela. Precisamos dos pontos de sábado, é um jogo dentro de nossa casa”, ressaltou.
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Pressão e perspectivas para o segundo semestre
O treinador relembrou o início difícil do Bahia em 2023, quando o clube estava próximo da zona de rebaixamento, e destacou a evolução da equipe, mesmo que a derrota recente tenha sido um revés. Ceni enfatizou a importância de vencer o próximo compromisso para seguir com boas chances na disputa.
“Aquele momento que estreamos em 2023 era muito difícil para o clube. Estava perto da zona de rebaixamento, e o triunfo nos deu chance de respirar. Hoje, depois de três anos, saímos do 16º lugar, evoluímos, e estamos apanhando um pouco mais do que nos anos anteriores. Derrota é sempre difícil, complicado encontrar as palavras corretas para falar. O que precisamos é vencer o próximo jogo para ir para a pré-temporada com uma pontuação melhor, ao menos dentro do G-8. Podemos ter a chegada de um ou outro jogador, pode haver uma saída ou outra. Mas queremos planejar o segundo semestre com 26 pontos”, disse.
Confiança para buscar melhores posições na tabela
Ceni destacou a qualidade das atuações recentes do Bahia e a capacidade de criar oportunidades de gol, que reforçam a expectativa de que o time pode brigara parte de cima da tabela do Campeonato Brasileiro. Ele acredita que reduzir os erros defensivos será essencial para alcançar esse objetivo.
“A maneira como a gente joga. Contra o Remo poderíamos ter virado o jogo, tivemos oportunidades. Contra o Grêmio eu nem sei explicar como a bola não entrou. Então nossas atuações, nossas chances criadas, isso me faz crer que o Bahia pode brigar na parte de cima da tabela. A maioria dos times estão muito equilibrados, e a parada para Copa é fundamental para fazer ajustes e nos deixar mais fortes para o segundo semestre. Mas o Bahia não é um time que joga mal, normalmente ele tem as melhores chances de sair vitorioso. Mas é um momento difícil porque a gente entrega muito fácil nas poucas chances que o adversário tem. O que me deixa com esperança de brigar entre os primeiros colocados é o que a gente produz durante os jogos com as oportunidades de vencer. Se a gente diminuir o número de falhas podemos brigar por posições melhores que a de hoje.”, concluiu.

