Revitalização da Fábrica São Brás em Salvador
Um projeto de indicação apresentado na Câmara de Vereadores de Salvador busca transformar a antiga Fábrica São Brás (Fagip), localizada no bairro de Plataforma, em um novo centro dedicado às artes, ao Turismo e à gastronomia. A proposta, de autoria do vereador Orlando Palhinha (União), solicita um estudo de viabilidade técnica para a revitalização do prédio histórico, atualmente em estado de ruínas e tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). O texto do projeto voltou a ser debatido na Casa no dia 29 de junho de 2026.
Importância histórica e cultural
Protocolado em agosto de 2023, o Projeto de Indicação nº 176/2023 destaca que a antiga fábrica está desativada e sem uso desde o encerramento das atividades industriais na região. Segundo o vereador, o espaço tem grande potencial para impulsionar a economia local e fortalecer a cultura, oferecendo um ambiente para exposições, apresentações artísticas, feiras de artesanato e eventos culturais, além de um polo gastronômico voltado à comunidade.
“Considerando que cerca de 600 mil pessoas vivem no Subúrbio Ferroviário de Salvador, proponho que esse patrimônio artístico e cultural seja recuperado e transformado em um centro que valorize artes, turismo e gastronomia. Isso criará um novo roteiro turístico e estimulará o desenvolvimento econômico no Subúrbio e na Cidade Baixa”, afirmou Palhinha.
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Localizado na Rua Almeida Brandão, o prédio faz parte da identidade do bairro de Plataforma e da história industrial da capital baiana. Para o parlamentar, revitalizar a antiga fábrica é também resgatar a memória das famílias que ali viveram e trabalharam, além de oferecer um espaço de convivência e incentivo cultural para a região.
História da Fábrica São Brás
Fundada em 1875 pelos imigrantes portugueses Manoel Francisco de Almeida Brandão e Antonio Francisco Brandão Jr., a Fábrica São Brás foi um marco para o crescimento industrial em Plataforma. A indústria contribuiu para o desenvolvimento e povoamento do bairro, que se consolidou como uma área operária a partir da década de 1970.
Após uma grande reforma em 1886, a fábrica foi adquirida em 1891 pela Companhia Progresso Industrial da Bahia, que também comprou outras unidades na região. Entre 1907 e 1910, o complexo passou por nova ampliação, incorporando prédios anexos e aumentando sua capacidade produtiva.
Em 1932, ocorreu a fusão entre a Companhia Progresso Industrial e a Companhia União Fabril. Já em 1944, após a morte de Bernardo Catharino, seus sucessores assumiram o comando e promoveram mudanças que impactaram as relações com o operariado. Esses fatores, somados ao declínio da indústria têxtil na Bahia, levaram à desativação da Fábrica São Brás e outras unidades da Companhia.

