Início simbólico da obra gera controvérsia política na Bahia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou presença no lançamento simbólico da construção da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, projeto que promete ser a maior ponte da América Latina, com 12,4 quilômetros de extensão e custo estimado em R$ 11,6 bilhões. A obra integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e representa um investimento significativo na infraestrutura da região. No entanto, o evento não passou sem críticas, especialmente da oposição liderada por ACM Neto (União). O ex-prefeito de Salvador classificou a iniciativa como uma “grande mentira” e afirmou que a ponte “só existe no outdoor e no Instagram da turma do governo”.
Oposição questiona promessas e impacto eleitoral
ACM Neto, principal adversário do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na corrida eleitoral estadual, lamentou que o assunto da ponte seja tratado com tanta facilidade pelo PT, ressaltando que a obra é prometida há duas décadas sem avanços concretos. “Jerônimo não devia ter coragem mais de tratar desse assunto e nem o PT devia ter coragem de tratar desse assunto, porque eles prometem há 20 anos. Eles vão partir para mais uma eleição prometendo uma obra que não começou”, declarou no dia do lançamento, 1º de julho. O ex-prefeito ainda minimizou a presença de Lula na Bahia, dizendo que a visita do presidente, que obteve 72% dos votos no segundo turno de 2022 no estado, “não muda nada” no cenário político atual.
Discurso de Lula e reação da oposição
Durante o evento em Vera Cruz, Lula ressaltou a importância de evitar uma especulação imobiliária desenfreada na Ilha de Itaparica, destacando a necessidade de planejamento cuidadoso para que o projeto gere benefícios reais à população local. A cerimônia contou também com a participação dos pré-candidatos do PT ao Senado, Jaques Wagner e Rui Costa. A obra será realizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o governo da Bahia, liderado por Jerônimo Rodrigues, e um consórcio chinês.
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Em resposta às críticas, Jerônimo defendeu a seriedade do projeto: “Lula não viria a Salvador para brincar de anúncio”, afirmou, pedindo uma postura mais responsável da oposição. Contudo, o ex-governador Romeu Zema (Novo), adversário de Lula nas eleições presidenciais, também se manifestou nas redes sociais, acusando o PT baiano de “bater palmas para uma ponte que não existe”.
Controvérsias ambientais e tensões políticas na Bahia
Além dos embates políticos, a obra enfrenta resistência de ambientalistas e pescadores locais, preocupados com possíveis impactos negativos no ecossistema da Baía de Todos os Santos. O projeto tem sido alvo de debates intensos, que refletem as tensões entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
No contexto da campanha eleitoral na Bahia, ACM Neto tem focado suas críticas principalmente no governador Jerônimo Rodrigues, buscando desgastar sua imagem. Em contrapartida, Lula não poupou críticas a ACM Neto, recordando um episódio em que o ex-prefeito afirmou ser negro, ironizando a situação: “O teu adversário é tão mentiroso que ele chegou a querer se passar por negro”. Questionado sobre a fala, ACM Neto respondeu com uma expressão conciliadora: “Netinho paz e amor”.
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Perspectivas e desafios para a ponte Salvador-Itaparica
ACM Neto também sugeriu que Lula pode estar sendo “enrolado” por Jerônimo e pelo governo baiano no que diz respeito ao andamento das obras da ponte, demonstrando ceticismo quanto à execução do projeto. A expectativa é que, se concluída, a ponte transforme a infraestrutura da região, mas as críticas e dificuldades indicam que o caminho até a entrega será desafiador.
Silva (PT) permanece como figura central no debate, enquanto a população acompanha atentamente os próximos passos da obra que pode alterar profundamente a dinâmica econômica e social da Bahia.

