O início do delivery na Bahia
Em tempos em que o mundo ainda não era globalizado, a rotina de cidades como Itabuna seguia seu próprio ritmo, marcado por desafios e formas singulares de comunicação. Walmir Rosário, jornalista, radialista e advogado, compartilha lembranças que ajudam a entender esse cenário, onde o rádio era a principal janela para o mundo, oferecendo música, notícias e esportes com uma proximidade que nenhuma outra mídia tinha na época.
Na Itabuna de 1965, as emissoras locais disputavam audiência não apenas com as rádios de Salvador, mas também com as grandes estações de São Paulo e Rio de Janeiro. A Rádio Clube de Itabuna, com o prefixo ZYN-28, destacava-se por sua estrutura inovadora, incluindo equipamentos para gravação de jingles em discos de 45 e 78 rotações. Isso permitia a produção local de comerciais, reduzindo custos e fortalecendo a identidade da rádio.
A revolução do “Frango de Bicicleta”
Foi nesse contexto que Eliés Haun, conhecido como o “gringo árabe”, chegou com uma proposta ousada: transformar o comércio local com um serviço prático e inovador, focado na venda de frangos abatidos e entregues de forma inédita. Consciente do poder do rádio, Eliés escreveu um texto publicitário e buscou a colaboração do diretor comercial da Rádio Clube, o jornalista Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho (CCCC), para criar um comercial impactante.
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CCCC sugeriu uma estratégia em duas etapas: primeiro, um teaser para despertar a curiosidade do público, seguido por um jingle que impulsionasse as vendas. Assim nasceu a campanha “Frango de bicicleta!”, que mexeu com a imaginação dos moradores de Itabuna. A ideia de um frango pedalando uma bicicleta surpreendia e atraía a atenção, abrindo caminho para um modelo de entrega que, pela primeira vez na Bahia, unia comunicação e inovação comercial.
Contexto cultural e comunicação local
Essa história reflete não apenas a criatividade de empreendedores locais, mas também a relevância do rádio como meio de comunicação e difusão cultural na região. A Rádio Clube, ao investir em tecnologia e produção própria, consolidou sua importância na dinamização do comércio e na formação do imaginário popular. A campanha do “Frango de bicicleta” é um exemplo de como cultura, comunicação e economia se entrelaçam para gerar mudanças significativas no cotidiano das cidades baianas.
Hoje, ao lembrar desse episódio, é possível traçar uma linha entre aquela Itabuna de 1965 e a atual, onde serviços de delivery são parte da rotina. O pioneirismo do “Frango de bicicleta” marca um capítulo fundamental na história da cultura comercial e midiática da Bahia, revelando como pequenas inovações locais podem ter impactos duradouros na circulação de bens e na relação entre comércio e público.

