Celebrando a Cultura Popular nas Ruas de Camaçari
As ruas do Centro de Camaçari foram tomadas por uma atmosfera vibrante, marcada pelos sons dos berimbaus, o ritmo dos tambores e o colorido das manifestações populares durante a celebração do Dia Municipal dos Mestres e Mestras da Cultura Popular. Realizado no último sábado (18), o evento transformou a região em um palco aberto para reconhecer aqueles que dedicam suas vidas à preservação das memórias, tradições e identidade do povo camaçariense.
Organizado pela Secretaria da Cultura (Secult), em parceria com o Conselho Municipal da Cultura de Camaçari (CMCC) e com apoio financeiro do Fundo Municipal da Cultura, o encontro reforçou o compromisso da administração municipal com a valorização do patrimônio cultural, tanto material quanto imaterial, e com os detentores dos saberes transmitidos entre gerações.
O Papel Transformador da Cultura Segundo o Prefeito
O prefeito Luiz Caetano destacou a cultura como uma ferramenta essencial para a transformação social. Ele mencionou investimentos na Cidade do Saber, que voltou a pulsar com nova energia, e enfatizou a satisfação de estar ao lado dos mestres e mestras da cidade. “A cultura é a porta aberta para o desenvolvimento das pessoas e de toda a comunidade”, afirmou.
A programação teve início com um cortejo cultural na tarde do sábado. Uma animada “berimbalada” reuniu vários grupos que percorreram as principais vias do Centro, saindo da Praça Desembargador Montenegro até o Teatro Alberto Martins (TAM). No trajeto, manifestações como capoeira, samba e bumba meu boi ilustraram a diversidade cultural de Camaçari, reforçando sua história e identidade.
Manifestações e Grupos Participantes
O desfile contou com a participação do Boi Estrela de Barra do Jacuípe, do Samba Caboclo de Parafuso e de inúmeros grupos de capoeira, entre eles Frutos da Gameleira, Associação Sociocultural de Capoeira Regional Bimbaê, Capoeira Filhos de Maré, Associação de Capoeira Libertação Arte, Associação de Capoeira Engenho, Grupo de Capoeira Berimbau Arte, Aquilombar Capoeira, Associação de Capoeira Estilo e Malícia, Grupo de Capoeira Camugerê, Ubuntu, Sementes do Mestre Coelho (SEMC), Capoeira Feminina Filhas do Vento, Associação de Capoeira Viola de Ouro, Fatumbi Capoeira, Discípulos do Mestre Petróleo, Capoeira Ligeira e o Grupo de Capoeira Inclusiva (GCI).
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Um dos momentos mais emocionantes foi a participação do Mestre Enoque, referência na cultura local e autor do Hino de Camaçari.
Reconhecimento e Preservação da Memória Cultural
Para a titular da Secult, Elci Freitas, celebrar os mestres e mestras vai além de uma simples festa: trata-se de reconhecer oficialmente o patrimônio vivo que cada um representa para a identidade da cidade. Ela ressaltou que os mestres são guardiões das tradições e da memória de Camaçari, e que a melhor forma de honrar esse legado é ocupando os espaços públicos com arte e oferecendo suporte efetivo a quem faz a cultura acontecer. “Tornar este momento possível é fruto de um esforço coletivo”, destacou.
No Teatro Alberto Martins, a programação continuou com a recepção da Chegança Feminina de Arembepe, manifestação tradicional que simboliza a força e resistência cultural transmitida pelas mulheres da comunidade. A mestra Elizabete de Souza, conhecida como Dona Bete, que lidera o grupo e foi uma das homenageadas, representa essas mulheres que transformam tradição em legado, conectando passado, presente e futuro.
Tradição e Legado em Primeiro Plano
Dona Bete compartilhou sua trajetória de 24 anos atuando em manifestações como chegança, samba de roda, terno de rei e quadrilha junina. “Tudo isso é a minha vida. Sinto-me feliz em ser homenageada e desejo que tenham mais atividades como essa para fortalecer a cultura”, afirmou.
O público também assistiu apresentações do Samba Chula Filhos de Oyò, do cantor Tonho Matéria e do espetáculo “Dos Pés às Palhas do Caboclo de Parafuso”, do bailarino e coreógrafo Frankllyn Gentil, que reverenciou as tradições de matriz ancestral que compõem a identidade cultural do município.
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Fonte: ctbanews.com.br
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Homenagens e Legados Reconhecidos
Durante a cerimônia, mestres e mestras que dedicaram suas vidas à preservação dos saberes populares foram homenageados. Além de Dona Bete, receberam reconhecimento os mestres Albertino, Lindaura, Arline, Joseane, Gô, Careca, Petróleo, Oliveira, Orelha, Neguinho, Dois de Ouro, Bule Bule, Dadú, Ismael e Lua de Bobó. Também houve homenagens póstumas a Mestra Nildes e aos mestres Sardinha, Miro, Geni e Baiano, destacando o legado deixado por cada um na cultura camaçariense.
O Mestre Petróleo, Raimundo Santana, expressou o significado de ter seu trabalho reconhecido, especialmente na capoeira. Com 78 anos, comemorou 70 anos de dedicação à luta e à arte da capoeira. “Este evento valoriza o capoeirista, o homem negro e a mulher negra, mostrando que a idade não é barreira para manter a energia e o compromisso com a cultura”, disse, desejando mais tempo para continuar seu trabalho.
O Valor de Celebrar a Cultura e os Mestres
O conselheiro de Cultura Cristian Santos da Silva, idealizador do evento, reforçou que homenagear os mestres é reconhecer aqueles que garantem a continuidade dos saberes populares. “Celebrar essa data é reacender a chama da nossa cultura e dar visibilidade a quem realmente a constrói. Trazer nossos griôs e baluartes culturais de volta ao centro das atenções é buscar e beber na fonte dos saberes ancestrais, valorizando suas histórias e garantindo a transmissão às novas gerações”, explicou.
Além das homenagens e apresentações, o evento aproximou artistas e fazedores de cultura das políticas públicas locais. Durante a tarde, o Núcleo de Orientação Cultural (NOC) Itinerante atendeu no Teatro Alberto Martins para orientar sobre o edital Ativação Cultural Camaçari. O chamamento público, ainda aberto, visa formar um banco de profissionais da cultura para futuras apresentações artísticas.
A celebração no coração de Camaçari reforçou o pertencimento e a valorização das raízes culturais da cidade, destacando a importância dos mestres e mestras na manutenção viva da cultura popular local.

