Filho do presidente reside no exterior e mantém silêncio em meio a controvérsias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, na quinta-feira (30), que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, está morando na Espanha e não vê necessidade de comentar as acusações que circulam contra ele, classificadas por Lula como “campanha difamatória” e “mentiras”.
Em entrevista ao podcast “Inteligência Ltda.”, o presidente ressaltou que seu filho tem sido alvo de ataques desde 2006, com o objetivo de enfraquecer suas campanhas políticas. Quando questionado pelo apresentador Rogério Vilela sobre a possibilidade de Lulinha se manifestar, Lula foi categórico ao afirmar que isso não seria necessário.
Lula reforça comprometimento com a justiça e ausência de privilégios
O presidente enfatizou que o filho nega todas as acusações e que, se houver qualquer investigação, Lulinha será tratado como qualquer cidadão, sem privilégios. “Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu, não haverá qualquer privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, não vai ter”, afirmou.
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Em sua fala, Lula também lembrou os impactos pessoais da Operação Lava Jato, que resultou em sua prisão em abril de 2018, e mencionou a esposa Marisa Letícia, falecida em 2017. “Ele sabe o que eu passei, sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato. Ele não tem o direito de errar”, declarou.
Inquérito apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção
No mesmo dia da entrevista, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar se Lulinha praticou tráfico de influência e corrupção. A Polícia Federal conduz as investigações.
O procedimento apura supostas ações de Lulinha para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em contratos com o Ministério da Saúde. As suspeitas envolvem negócios relacionados à cannabis medicinal entre os dois.
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Careca, apontado como um dos principais envolvidos em desvios de aposentadorias e pensões na operação Sem Desconto, teria contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal junto ao governo federal, por meio da empresa World Cannabis, de sua propriedade.
Segundo a investigação, Lulinha teria atuado para que Careca fosse recebido no Ministério da Saúde, que em 2024 e 2025 tentou firmar um contrato milionário para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol. O contrato, entretanto, não foi formalizado.
A defesa de Lulinha, ao ser procurada pelo Poder360, afirmou desconhecer o pedido da Polícia Federal e não se pronunciou sobre o conteúdo das investigações.

