Colóquio Internacional: entre cultura, reparação e desenvolvimento
Com foco em temas centrais para a população negra, como relações internacionais, cultura e desenvolvimento econômico, o Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação será realizado nas cidades de Salvador e Cachoeira. O evento marca os 25 anos do Fórum de Entidades Negras da Bahia (FENEBA) e amplia as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.
Além de mesas de debates que abordam as condições e perspectivas da população negra na África e na Diáspora Africana, o encontro busca fortalecer laços comunitários e ampliar a cooperação internacional entre os países envolvidos.
Programação diversificada e participação internacional
O Colóquio acontece entre os dias 10 e 16 de agosto, com uma programação intensa e diversificada. No dia 10, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a abertura traz apresentações culturais, como o Grupo Cultural do TOGO Tem Biya Danse, e cerimônia com execução dos hinos da Bahia, do Brasil e da África. O evento também inclui homenagens ao Mês da Ancestralidade de Matriz Africana e uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Salvador.
Nos dias seguintes, as atividades acontecem no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador. O painel sobre Cultura e Ancestralidade Africana no Mundo Contemporâneo reúne nomes como o Prof. Dr. Samuel Vida (UFBA), presidente do Aganju, Yá Marcia D’Ogum, coordenadora do RENAFRO e conselheira da UFBA, além de Luiz Carlos Amaral Gomes (Ele SEMOG), poeta e ativista do Rio de Janeiro, e Nadou Delali Hellu Tossou, da Secretaria de Cultura de Aneho (TOGO).
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Educação, cultura e política para reconectar África e Diáspora
O segundo painel do dia destaca a educação e cultura como instrumentos para fortalecer a conexão entre a África e sua Diáspora. Entre os convidados estão o antropólogo Roberto Pinho, idealizador da Casa do Benin, a professora Dra. Mirian Reis, que atua na criação da Universidade Federal da Integração África-Brasil (UNIFAB), e Alassane Dermane, diretor do Grupo Cultural Tem Biya Danse e da Câmara de Comércio Brasil/Togo (ECOWAS).
Também participam a professora Dra. Maria do Carmo Rebouças, do Grupo de Pesquisa Pensamento Negro Contemporâneo, que juntos debatem estratégias para ampliar o diálogo cultural e educacional entre os territórios.
Relações exteriores, reparação e avanços do panafricanismo
Na manhã do dia 12, o painel dedicado a Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação aborda temas essenciais para a política cultural e econômica. Participam o embaixador Francisco Luz, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), o Dr. Akil Kokayi Khalfani, diretor do Instituto Essex County (EUA), o professor Dr. Hélio Santos, pesquisador da FEA-USP, e o embaixador Lantame Linsao Oubonfo, representante do TOGO no Brasil.
À tarde, o foco é o Panafricanismo como elemento político para o Movimento Negro Brasileiro. O painel apresenta lideranças como o professor Dr. Pedro Leyvas, coordenador do Centro de Estudos Africana da UNILAB, Dr. Richard Santos, chefe de gabinete da SEPROMI, Dr. Humberto Brown, especialista em Saúde Pública e Relações Internacionais, e Dr. João Jorge, presidente da Fundação Cultural Palmares.
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Networking, irmandade e manifestações culturais
Na quinta-feira, 14 de agosto, ocorre a sessão especial de irmandamento entre Cachoeira (Bahia) e Aneho (Togo). O momento fortalece os laços entre as cidades, com atividades na Casa da Irmandade da Boa Morte e na Câmara Municipal de Cachoeira, além de visitas a São Félix.
O evento continua até o dia 16, com destaque para a participação do grupo togolês Tem Biya Danse na tradicional festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, e a XXVIII Caminhada Azoany, que encerra o colóquio com uma missa na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e almoço de confraternização no Pelourinho.
Este colóquio reúne instituições e personalidades que refletem sobre a cultura negra, políticas de reparação e o fortalecimento econômico, promovendo um diálogo fundamental entre Bahia e Togo, ampliando a circulação cultural e o acesso do público a essas expressões.

