Paralisação Nacional atinge agências da Bahia
Os bancários de Salvador e do interior da Bahia protagonizam uma greve de 24 horas nesta quinta-feira (20), como parte da mobilização nacional contra a ausência de avanços nas negociações com os bancos. As principais agências da capital baiana, assim como quase todas as unidades no interior, estão fechadas em protesto à proposta considerada insuficiente apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Demandas da categoria e negociações frustradas
O Sindicato dos Bancários da Bahia destaca que a paralisação busca pressionar a Fenaban a oferecer uma proposta que contemple as reivindicações da categoria. Entre as principais demandas estão o reajuste salarial, a valorização do piso e o aumento de benefícios como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vales-alimentação e refeição. Os trabalhadores também solicitam a criação de um piso salarial para os profissionais da área de Tecnologia da Informação (TI).
Segundo Elder Perez, presidente do sindicato, oito rodadas de negociação ocorreram até o momento, mas os bancos não apresentaram um índice de reajuste claro, propondo, em vez disso, medidas que implicam redução de direitos. Uma das propostas prevê reajustes salariais diferenciados por faixa de renda, sem critérios claros, além da regionalização dos vales-alimentação e refeição conforme o custo local dos alimentos.
Impactos diretos em Salvador e no interior
Na capital baiana, as 70 agências e duas filiais da Caixa Econômica Federal permanecem fechadas durante o dia. Os empregados reivindicam reposição das perdas acumuladas entre agosto de 2025 e setembro de 2026, com acréscimo de aumento real de 5%. Além disso, pedem melhorias no plano Saúde Caixa e revisão do programa de metas. A maioria das agências do Banco do Brasil também aderiu à paralisação.
O presidente do sindicato ressalta que as reivindicações variam conforme as instituições. No Banco do Brasil, por exemplo, as queixas envolvem o plano de saúde Cassi. Já no Banco do Nordeste (BNB), a categoria reclama da Participação nos Lucros e Resultados e do plano de cargos e salários.
Orientações e perspectivas do movimento
O sindicato orienta que os bancários mantenham a paralisação ao longo do dia para pressionar por avanços concretos. A categoria alerta que, sem uma proposta satisfatória, o movimento poderá se intensificar nas próximas semanas.
A Fenaban, que representa os bancos nacionais há mais de três décadas, informou que recebeu a pauta de reivindicações em 24 de junho e segue cronograma de negociações. Uma nova rodada está agendada para a próxima segunda-feira (24), na tentativa de alcançar um acordo.
Clientes mais afetados e desafios no atendimento
Ronaldo Ornelas, diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, destaca que o impacto da greve recai principalmente sobre clientes que dependem do atendimento presencial, como aposentados e pessoas com dificuldade de acesso à internet ou a dispositivos digitais. Essas pessoas enfrentam dificuldades para realizar operações bancárias durante a paralisação.
Fechamento de agências e o futuro do atendimento bancário
Outro ponto de preocupação para os bancários é o fechamento de agências em todo o estado. Somente entre janeiro e julho deste ano, 21 unidades foram encerradas na Bahia, e em 2025, o número chegou a 46. Atualmente, o estado conta com 735 agências bancárias, mas a redução da rede física preocupa a categoria tanto pela diminuição do atendimento como pela perda de postos de trabalho.
Em julho, duas agências do Bradesco em Salvador foram fechadas, com clientes transferidos para outras unidades. Essa medida integra um processo de reestruturação iniciado em 2023, focado na redução de custos e ampliação do atendimento digital. Ronaldo Ornelas explica que o banco planeja diminuir drasticamente os custos operacionais e priorizar o atendimento digital, o que vem impactando diretamente a rede física de agências.
O movimento dos bancários revela um cenário de tensão entre a necessidade de modernização dos serviços bancários e a defesa dos direitos trabalhistas e do atendimento presencial, sobretudo em um estado como a Bahia, onde o acesso digital ainda é limitado para parte da população.

