Investimento estratégico para reativar ferrovia histórica
O governo da Bahia, liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues, autorizou a contratação de estudos no valor de R$ 16,7 milhões para avaliar a reativação da ferrovia entre Salvador e Juazeiro. A linha, com cerca de 600 quilômetros, está desativada oficialmente há 12 anos e pode voltar a conectar importantes regiões do estado, promovendo movimentações econômicas e logísticas significativas.
O contrato, firmado com a empresa italiana DITS S.r.l. (Development & Innovation in Transport Systems) pela Companhia de Transportes da Bahia (CTB) em 1º de setembro, foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (22). O valor exato registrado é de R$ 16.730.884,81, com prazo de execução de 22 meses, período em que a empresa realizará o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) e o Anteprojeto de Engenharia da ferrovia.
Detalhes do estudo e próximos passos do projeto
O escopo do trabalho inclui levantamentos detalhados, diagnósticos, simulações operacionais e modelagens econômicas que vão embasar a decisão sobre a viabilidade da reativação. Importante destacar que a autorização para o estudo não significa o início das obras. A construção dependerá da conclusão dos estudos, da definição das fontes de financiamento e do licenciamento ambiental.
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O prazo de 22 meses indica que os resultados devem ser entregues no segundo semestre de 2028. Antes disso, o projeto passa por etapas fundamentais para garantir sua sustentabilidade técnica e econômica, além de cumprir exigências ambientais.
Contexto histórico e alcance do empreendimento
A ferrovia segue o traçado da antiga Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco (EFBSF), que liga Salvador, Alagoinhas e Juazeiro, com extensão aproximada de 600 quilômetros. Em 2014, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a devolução de 460 quilômetros desse trecho pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), parte de um processo maior que envolveu 1.760 quilômetros de malha ferroviária na Bahia.
O projeto atual substitui um plano anterior que previa estender o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) Metropolitano até Alagoinhas, cerca de 115 quilômetros de Salvador, focado no transporte de trabalhadores do Polo Petroquímico. A ampliação para a ferrovia completa até Juazeiro amplia o impacto esperado, tanto para transporte de carga quanto de passageiros.
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Integração regional e potencial econômico
O traçado da ferrovia fica a cerca de 200 quilômetros de um ponto de conexão com a Transnordestina, em construção no Nordeste. A CTB planeja usar a ferrovia para transportar cargas e passageiros simultaneamente, conforme destacou o presidente da companhia, Eracy Lafuente, em entrevistas recentes.
O governo federal está envolvido nas discussões desde 2025 e indicou o Novo PAC como possível fonte de financiamento para os estudos, confirmando recursos próximos aos R$ 16 milhões utilizados no contrato atual. A reativação da ferrovia pode reconectar o litoral baiano ao semiárido no norte do estado, criando uma nova dinâmica econômica e logística para a região.
Essa linha ferroviária operou por mais de um século antes de sua desativação iniciada nos anos 2000 e oficializada em 2014 pela ANTT, representando uma importante infraestrutura para o transporte no estado. O avanço dos estudos pode marcar o retorno desse modal, com impacto direto em emprego, produção e circulação de mercadorias.

