Candidatos apresentam propostas para melhorar a saúde pública na Bahia
Seis candidatos disputam o governo da Bahia nas eleições deste ano, que começaram oficialmente em 16 de agosto e vão até 3 de outubro, véspera do primeiro turno. ACM Neto (União Brasil), Ariel Capistrano (DC), Aroldo Félix (UP), Jerônimo Rodrigues (PT), Maria Bona (PCO) e Ronaldo Mansur (PSOL) divulgaram seus planos de governo com propostas para diversas áreas, incluindo a saúde.
Com a proximidade do pleito em 4 de outubro, o foco recai sobre as estratégias para o setor de saúde no estado. Os planos apresentados refletem diferentes enfoques para enfrentar desafios como filas no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliação do atendimento e integração das redes públicas e privadas.
ACM Neto e a reorganização regional do SUS
No plano de ACM Neto, um dos pilares é a melhoria do fluxo de atendimento na fila de regulação do SUS. Ele propõe uma central de regulação inspirada no modelo de São Paulo, com autoridade clara para médicos reguladores e critérios clínicos para alocação de vagas, além de disponibilização pública dos dados para controle social.
Outra iniciativa prevê a implementação de fila única com uso de inteligência artificial para agendamento de cirurgias eletivas em todos os municípios, além da ampliação do acesso direto do SAMU aos hospitais regionais. O candidato também destaca a implantação de serviços emergenciais para as quatro principais causas de morte no estado: trauma, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e parto de alto risco.
Para fortalecer a rede hospitalar, o plano inclui a construção de novos hospitais regionais, a estruturação de hospitais municipais como referências microrregionais e o lançamento do “PIX Saúde”, mecanismo para contratar diretamente vagas em hospitais privados e filantrópicos, reduzindo a espera por procedimentos.
A atenção primária ganha atenção com a ampliação da Estratégia Saúde da Família, criação de linha de cuidado para doenças crônicas e unidades móveis para municípios pequenos e áreas rurais. A tecnologia também é destaque, com a implantação de telessaúde, telemedicina e sistemas de análise de dados para aumentar a transparência e eficiência da gestão.
O plano inclui ainda contratos de desempenho para hospitais, reforma do Planserv, expansão da assistência domiciliar, programas para redução da mortalidade infantil, descentralização da oncologia e ampliação da rede de saúde mental, incluindo cuidados para pessoas com autismo. Na prevenção, estão previstos reforço da vigilância sanitária e ações para manter a cobertura vacinal atualizada.
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Um diferencial do plano é a criação do Sistema Estadual de Saúde Animal, baseado no conceito de Saúde Única, que articula o bem-estar animal, a saúde humana e a proteção ambiental. Estão previstas ações como castração, combate a maus-tratos e educação nas escolas, com canais digitais para denúncias e envolvimento da comunidade.
Jerônimo Rodrigues aposta na digitalização e expansão da rede
O candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, propõe um novo modelo de regionalização da saúde, com revisão do Plano Diretor e fortalecimento da regulação estadual. Seu plano destaca a implantação do Programa Saúde na Palma das Mãos, que prevê uma plataforma digital integrada para facilitar o acesso da população, além de teleconsultas e telemonitoramento para grupos específicos.
Ele prevê a construção de 450 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), incluindo 39 para comunidades indígenas, e a ampliação das equipes de Saúde da Família, com foco em populações vulneráveis. No atendimento especializado, propõe a inauguração de cinco hospitais e maternidades estaduais, além da expansão das policlínicas regionais.
Para pessoas com deficiência, o plano inclui a construção de 20 novos Centros Especializados em Reabilitação (CER) e a implantação de serviços específicos para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na saúde mental, a meta é ampliar a rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades de acolhimento e leitos em hospitais gerais.
O fortalecimento da atenção a condições crônicas e oncologia também está presente, com ampliação da capacidade diagnóstica e implantação de novas tecnologias. O plano reforça a qualificação da saúde materno-infantil, vigilância em saúde, ampliação da cobertura vacinal e reestruturação da Bahiafarma para garantir a oferta de medicamentos.
Ronaldo Mansur defende SUS 100% público e comunitário
O candidato do PSOL, Ronaldo Mansur, defende a consolidação de um SUS 100% público e estatal, com ampliação territorializada da atenção básica e incorporação dos saberes tradicionais na rede. Propõe a reversão do sucateamento da saúde pública por meio da vigilância participativa, que envolve as populações vulneráveis como protagonistas da transformação.
Entre suas propostas estão a efetivação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) com gestão plena, a garantia de orçamento adequado e a transformação dos conselhos de assistência social em comitês populares com caráter deliberativo. Defende ainda políticas que assegurem direitos das crianças, adolescentes e idosos, incluindo o direito ao brincar e envelhecimento saudável.
Na área da segurança pública, Mansur propõe a regulamentação do uso medicinal da cannabis, incluindo o cultivo terapêutico e fornecimento pelo SUS. Também defende a educação sexual em escolas e unidades básicas, com foco na prevenção da violência e na saúde reprodutiva para além da lógica materno-infantil.
O candidato reforça a luta contra o racismo institucional na saúde, com aplicação de recursos para a população negra, valorização dos saberes das comunidades tradicionais e atenção especial à saúde mental.
Outros candidatos destacam propostas essenciais para a saúde
Ariel Capistrano (DC) aposta na ampliação de leitos hospitalares, construção e modernização de hospitais regionais, redução das filas para exames e cirurgias, fortalecimento da atenção básica e ampliação do atendimento psicológico e psiquiátrico. Também propõe a reestruturação do sistema de regulação para diminuir o tempo de espera por consultas e procedimentos.
Maria Bona (PCO) defende o fim das privatizações e o uso dos recursos do petróleo para financiar saúde e educação públicas. Propõe mais verbas para o SUS, construção de hospitais e postos de saúde, retorno do programa Mais Médicos, abertura de cursos de medicina e enfermagem sem vestibular, e piso salarial de R$ 8 mil para profissionais de saúde.
Aroldo Félix (UP) apresenta um plano com 15 propostas, incluindo a extinção dos contratos privados no SUS e eliminação das filas de regulação. Defende a capilarização dos hospitais e serviços de alta complexidade por todo o estado para ampliar o acesso à saúde.
O que muda para os baianos na saúde pública?
As propostas dos candidatos refletem caminhos distintos para enfrentar os desafios da saúde na Bahia, desde a gestão das filas do SUS até a expansão de serviços em áreas remotas. A atenção primária, a tecnologia em saúde, a regionalização dos serviços e a inclusão de populações específicas são pontos em comum, embora com diferentes abordagens.
O resultado das eleições definirá o rumo da saúde pública no estado, impactando diretamente pacientes, profissionais e a rede de serviços. Com a crescente demanda por acesso, qualidade e eficiência, o debate sobre as propostas é fundamental para que os eleitores tenham clareza das opções e possam cobrar resultados efetivos.

