História e importância da Avenida Sete
A Avenida Sete, uma das mais significativas vias de salvador, nasce na ladeira de são bento, onde se destacam, à direita, o prédio SULACP, e, à esquerda, o antigo edifício da Companhia das Águas do Governo do Estado, atualmente ocupado por moradores em situação de rua. Em seu contexto inicial, comparado ao período de inauguração da avenida, em 1915, esse trecho apresentava características muito diferentes. À direita situava-se o Hotel Sul Americano, inaugurado em janeiro de 1896, construído no local do antigo Hotel Bonau. Naquele início do século XX, já circulavam bondes puxados por burros, com ponto localizado em frente ao Sul Americano, na esquina da São Bento de Baixo (atual Carlos Gomes).
O antigo edifício do Sul Americano contava com dois andares, dezenas de janelas e acesso por escada de dez batentes, além de portões de ferro com lampiões. À esquerda, localizava-se o Hotel Paris, um casarão com dois andares e sótão, que posteriormente mudou-se para a Rua Ruy Barbosa e ficou conhecido até a década de 1970 como o “hotel dos prefeitos”.
O papel dos hotéis na história da avenida
Esses dois hotéis, instalados antes mesmo da avenida receber o nome de Avenida Sete, foram símbolos de luxo na cidade no fim do século XIX e início do século XX. Com acomodações sofisticadas, restaurantes e música ao vivo, o Hotel Sul Americano era palco do Réveillon mais glamouroso da capital baiana. Nessa época, o centro histórico de Salvador concentrava importantes sedes governamentais e espaços comerciais, atraindo a elite local e visitantes influentes.
Entre os hóspedes desses hotéis estavam coronéis da Chapada Diamantina e da região do Cacau, artistas, vedetes e estrangeiros, que frequentemente chegavam acompanhados de séquito. Próximo a esses estabelecimentos, situavam-se também espaços de entretenimento, como o “cabaret” da Pensão Americana e o Café Cantante, áreas que mais tarde abrigaram o Cine Guarani, o “cabaret” e o “dancing” Tabaris, o Restaurante Cacique e, atualmente, o Cine Glauber Rocha.
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Contexto urbano e transporte no início do século XX
Em 1915, quando o então governador Seabra inaugurou a Avenida Sete — que inicialmente seria nomeada 2 de Julho, em homenagem à guerra da independência da Bahia —, a Ladeira de São Bento já estava calçada desde 1880. O local passou por aterramentos para implantação das linhas de bondes puxados por burros, que circulavam desde 1870, e posteriormente dos bondes elétricos que conectavam bairros como Barris e Graça.
O planejamento inicial da avenida previa sua saída próxima ao Porto da Barra, mas por conta da consolidação das áreas centrais, optou-se por iniciar a Sete no sopé da praça Castro Alves, nomeada em homenagem ao poeta Antônio Frederico de Castro Alves. A avenida foi integrada ao fluxo de pessoas e comércio que já existia na região, conectando antigas vias e aldeias tupinambás da cidade.
A realidade atual da Ladeira de São Bento
Hoje, em 2024, o cenário é marcado pela decadência. O prédio da antiga Companhia das Águas, que ainda pertence ao governo do estado, transformou-se em um local precário, ocupado por moradores em situação de rua e com entrada restrita. Nas proximidades, lojas e edifícios exibem condições variadas: alguns bem conservados, outros fechados ou em ruínas.
Entre os estabelecimentos comerciais destaca-se o Edifício Executivo, com sua movimentada galeria de joias e serviços diversos, apesar da concorrência e preferências dos consumidores que migraram para outras regiões. O histórico Edifício Oxumaré, que abrigou a Secretaria de Comunicação da Prefeitura entre 1997 e 2004, também sofreu declínio após mudanças administrativas e redução do movimento na área.
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Transformações urbanas e seus impactos
Vários fatores contribuíram para o declínio da Avenida Sete e da Ladeira de São Bento. O deslocamento do centro político e econômico para a região Norte da cidade, com a implantação do Centro Administrativo da Bahia em 1972 e da Assembleia Legislativa em 1983, além da expansão dos shoppings centers desde a década de 1970, alteraram o fluxo de consumidores e o comércio tradicional.
O transporte coletivo também passou por mudanças: os bondes, que circulavam na avenida até a década de 1950, deram lugar a ônibus e automóveis, favorecendo a mobilidade para áreas mais afastadas, mas contribuindo para a diminuição da vida comercial na Sete. Esses elementos, somados à ampliação do uso do automóvel e à violência crescente, influenciaram diretamente o processo de decadência da região.
Preservação e desafios futuros
Apesar da crise, alguns espaços mantêm sua relevância cultural e histórica. A nova Biblioteca Anísio Teixeira, instalada em prédio reformado entre 2012 e 2022, resgata parte do patrimônio local e mantém viva a memória da cidade. No entanto, a Ladeira de São Bento ainda convive com problemas sociais e estruturais que dificultam sua recuperação.
A Avenida Sete, palco de importantes decisões institucionais e comerciais ao longo dos séculos, permanece um símbolo da transformação urbana de Salvador. A luta para revitalizá-la envolve compreender suas múltiplas camadas históricas e os efeitos das políticas públicas sobre seu espaço, apontando para a necessidade de ações integradas que contemplem a valorização do patrimônio e o atendimento às demandas sociais.

