Festa Literária de Ilhéus: Cultura que impulsiona o turismo local
Ilhéus, no sul da Bahia, será palco, entre os dias 11 e 14 de novembro de 2026, da 9ª edição da Festa Literária de Ilhéus (FLI). O evento acontece no Centro Histórico da cidade e reúne literatura, música e manifestações artísticas, valorizando a produção cultural local e atraindo visitantes para experiências diversificadas. A programação destaca homenagens a artistas consagrados como Raul Seixas, Caetano Veloso e Gal Costa, além de apresentações de nomes como Herval Lemos, Bia Berbeth, Bonjuni e Fernanda Pizzuti.
A agenda musical inclui shows ao meio-dia e apresentações noturnas, sempre às 20h30. A abertura será marcada pelo espetáculo “Cabeça Isidoro canta Raul”, que presta tributo a Raul Seixas. Nos dias seguintes, Gabriela Maja interpreta Caetano Veloso e Luana Carla apresenta o repertório de Gal Costa no espetáculo “Fatal”. O encerramento fica por conta do cantor pernambucano Martins, em uma celebração que conecta literatura e música sob o tema “Como será o amanhã? Responda quem puder”.
Com foco em promover reflexões sobre o futuro e questões atuais, a FLI amplia as possibilidades culturais de Ilhéus, cidade conhecida pelas suas praias, pela história do cacau e pela influência da obra de Jorge Amado. O Centro Histórico, local do evento, concentra pontos importantes da memória cultural, como a Casa de Cultura Jorge Amado, o Bar Vesúvio e o Bataclan, facilitando a integração entre atividades literárias e passeios pelo patrimônio local.
Endometriose: avanços significativos no tratamento cirúrgico
A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, o que representa aproximadamente 190 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Ministério da Saúde estima que entre 5% e 15% das mulheres nessa faixa etária convivem com a doença. O tratamento cirúrgico para casos indicados evoluiu bastante, incorporando técnicas minimamente invasivas, como a videolaparoscopia avançada e a cirurgia robótica.
Patrick Bellelis, cirurgião ginecológico especializado em endometriose profunda, destaca que a abordagem mudou bastante nas últimas duas décadas. “Hoje, a cirurgia é mais anatômica, sistematizada e individualizada, focando não apenas na remoção das lesões visíveis, mas na preservação dos órgãos e das funções reprodutivas”, explica. Exames de imagem mais detalhados ajudam a mapear a doença antes da operação, e recursos tecnológicos, como ópticas de alta definição, fluorescência e plataformas robóticas, possibilitam tratar lesões complexas no intestino, bexiga e ureteres sem recorrer à cirurgia aberta.
Laparoscopia ou cirurgia robótica: qual a melhor opção?
Uma revisão publicada em 2024 no periódico Life concluiu que a cirurgia robótica não é superior à laparoscopia convencional no tratamento da endometriose, embora os custos e a infraestrutura necessária limitem o acesso à tecnologia robótica. “Não existe uma regra fixa para escolher entre as técnicas. Casos complexos podem ser tratados com excelência pela laparoscopia convencional quando realizados por equipes experientes”, afirma o cirurgião.
A decisão depende da localização e extensão da doença, cirurgias prévias, necessidade de reconstruções delicadas, características da paciente, experiência da equipe e disponibilidade tecnológica. A visão tridimensional e os instrumentos articulados do robô são vantagens importantes em certos casos, mas não há evidências consistentes de que a cirurgia robótica seja globalmente superior à laparoscopia avançada.
Recuperação, fertilidade e desafios no diagnóstico
Comparada à cirurgia aberta, a laparoscopia proporciona menor sangramento, menos dor e internação mais curta. Muitas pacientes recebem alta em 24 a 48 horas, dependendo da extensão da doença e dos procedimentos realizados, especialmente se houver intervenções intestinais ou urinárias. “É fundamental entender que cirurgias extensas continuam sendo procedimentos de grande porte, mesmo quando realizadas por técnicas minimamente invasivas”, alerta Dr. Bellelis.
O cirurgião também ressalta a importância da preservação da fertilidade. Cirurgias agressivas podem remover tecido ovariano saudável, comprometendo a reserva ovariana. “Operar mais não significa necessariamente operar melhor”, destaca. A cirurgia pode melhorar as chances de gravidez espontânea em situações específicas, mas não é uma solução universal para a infertilidade. Em alguns casos, a reprodução assistida pode ser o caminho mais indicado.
Um dos grandes desafios é o tempo até o diagnóstico, que varia entre quatro e 12 anos, de acordo com a OMS. A normalização das cólicas menstruais incapacitantes contribuiu para esse atraso. O objetivo atual é reduzir essa espera e ampliar o acesso a equipes especializadas, uma vez que o tratamento da endometriose profunda requer atuação multidisciplinar.
Dr. Bellelis destaca que não é mais necessário aguardar anos ou realizar cirurgia apenas para confirmar o diagnóstico. Avaliações clínicas criteriosas e exames de imagem especializados permitem planejamento terapêutico precoce, embora exames normais não excluam a doença superficial. O avanço do tratamento depende da formação de profissionais, centros de referência e linhas de cuidado estruturadas, já que a tecnologia, apesar de importante, não substitui o conhecimento e a experiência da equipe.

