Abertura do CCBB Salvador traz programação cultural mais intensa
“Passamos a ter uma programação muito mais intensa”. É assim que Júlio Paranaguá, gerente geral do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Salvador, sintetiza as mudanças que acompanham a inauguração da sede física do centro na capital baiana, marcada para 21 de novembro no histórico Palácio da Aclamação. Espaço que une arte, patrimônio, diversidade e cultura brasileira, o CCBB chega a Salvador como a quinta unidade do país e a primeira do Nordeste.
A rede, criada há 37 anos no Rio de Janeiro, está entre os espaços culturais mais visitados do mundo. O projeto para a unidade baiana foi anunciado em 2024, fruto de acordo entre o Banco do Brasil e o Governo da Bahia, proprietário do imóvel. Mesmo antes da inauguração oficial, o CCBB já atua no circuito cultural local com mais de 20 projetos, alcançando um público superior a 600 mil pessoas e firmando parceria com 18 equipamentos culturais.
Na abertura, em pleno mês da Consciência Negra, o público terá acesso a 1 mil metros quadrados de área expositiva e de convivência, com a mostra inédita Nação Ilê, dedicada ao Ilê Aiyê.
O impacto cultural e econômico da chegada do CCBB no Nordeste
O restauro do prédio principal está previsto para ser concluído em 2028, e quando totalmente pronto, o CCBB Salvador terá 10 mil metros quadrados. Júlio Paranaguá ressalta que a instituição quer deixar um legado que vai além da estrutura física: “A cultura, de verdade, transforma a vida, as pessoas e o ecossistema”.
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Com a sede física, a programação ganha intensidade e autonomia. Até então, as atividades eram realizadas em parceria com outros espaços culturais. Salvador, primeira capital do Brasil, tem uma representatividade marcante em várias linguagens artísticas, do teatro ao cinema, da música às artes visuais, e o CCBB pretende dialogar profundamente com essa diversidade.
Além do investimento direto, a presença do CCBB em Salvador fomenta a economia criativa local, gera empregos e cria um palco para produções regionais, que poderão circular pelas outras unidades da rede, ampliando a visibilidade e o alcance dos artistas baianos.
Valorização da cultura local e estratégias para construir identidade própria
O processo de instalação do CCBB na Bahia começou com atividades culturais antes mesmo da sede física estar pronta, sinalizando um cuidado especial com o território. Diferente de outras capitais, onde a programação tem início somente após a inauguração do prédio, em Salvador o centro buscou um diálogo prévio com o público e os produtores locais.
O gerente destaca que o edital bianual do CCBB já incorporou com maior presença projetos baianos, refletindo a intenção de priorizar a produção local. “O número de projetos baianos selecionados cresceu significativamente no último edital”, aponta.
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A exposição de estreia, Nação Ilê, é uma homenagem ao Ilê Aiyê, que vai além de ser um bloco afro e é considerado um patrimônio da Bahia. A mostra reúne arte contemporânea inspirada no movimento, valorizando a cultura negra, a educação e a identidade baiana. O Ilê Aiyê também é reconhecido por manter a Escola Mãe Hilda, referência em programas educacionais na região.
Perspectivas para o público e o legado cultural do CCBB Salvador
A abertura do espaço oferece ao público mil metros quadrados para visitação, incluindo um pavilhão temporário, uma sala no complexo do Palácio da Aclamação e uma área de convivência com café. A programação continuará a ser ampliada nas próximas semanas e meses, mesmo com o prédio principal ainda em obras.
O CCBB Salvador está localizado na Avenida Sete de Setembro, 1330, com acesso pelo Passeio Público, uma região histórica e próxima a outros equipamentos culturais importantes da cidade.
O legado esperado pela instituição é de transformação cultural e social, promovendo um espaço aberto e gratuito para a celebração da arte e da cultura, capaz de impactar a vida das pessoas e o entorno urbano. “Quando refletimos sobre outras unidades, percebemos que elas transformam o local e a vida das pessoas”, afirma Paranaguá, reforçando o compromisso com a circulação cultural e o fortalecimento do ecossistema artístico baiano e nordestino.

