Análise das Consequências do Reperfilamento de Dívidas
A recente decisão da Casas Bahia (BHIA3) de aumentar seu capital e reestruturar suas dívidas deixou investidores preocupados, refletindo diretamente nas cotações das ações da varejista na B3. Acompanhando a intensidade das movimentações do mercado, as ações da companhia, não mencionadas no Ibovespa (IBOV), sofreram uma queda significativa de 11,08%, com os papéis sendo negociados a R$ 3,61 por volta das 11h20 (horário de Brasília) nesta quarta-feira, 26. Durante a primeira hora do pregão, a desvalorização chegou a impressionantes 13,05%.
Na véspera, a empresa havia convocado assembleias de acionistas e debenturistas com o intuito de discutir um aumento do capital autorizado e a reestruturação das dívidas. Essas medidas incluem a possibilidade de conversão de debêntures em ações, uma estratégia que visa melhorar a flexibilidade financeira da empresa. O vice-presidente financeiro da Casas Bahia, Elcio Ito, declarou, ao anunciar o resultado do terceiro trimestre, que a companhia estava implementando medidas para aprimorar sua estrutura de capital, especialmente após um prejuízo líquido de R$ 496 milhões, impactado por despesas financeiras elevadas.
Perspectivas Futuras e Reação do Mercado
A assembleia de debenturistas foi agendada para 17 de dezembro e abordará a 10ª emissão de debêntures, enquanto a assembleia geral extraordinária (AGE), que envolverá acionistas, também ocorrerá na mesma data, buscando decidir sobre um aumento do capital de até R$ 13,25 bilhões. É relevante ressaltar que, em agosto, a Mapa Capital se tornou a principal acionista da Casas Bahia ao converter R$ 1,40 bilhão em ações da série 2 da 10ª emissão de debêntures, em um acordo envolvendo o Bradesco e o Banco do Brasil.
Com a forte queda das ações, o sentimento no mercado não foi positivo, levando muitos a especular sobre as implicações de uma possível diluição para os acionistas. No entanto, analistas de mercado trouxeram uma visão mais otimista sobre a situação. De acordo com o banco Safra, as medidas anunciadas representam um esforço da Casas Bahia para lidar com as preocupações mais críticas, que envolvem sua estrutura de capital. O banco destacou que a proposta é bastante arrojada, pois tem o objetivo de alongar os prazos de pagamento da dívida e diminuir o prêmio, criando assim um espaço para possíveis novas negociações.
Expectativas de Recuperação
Os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, em relatório conjunto, afirmaram que embora os termos da conversão proposta ainda não sejam claros, existe uma expectativa de que a diluição possa ser significativa. No entanto, se as estratégias forem executadas com sucesso, isso pode oferecer à Casas Bahia a chance de reverter seu desempenho negativo e retornar à lucratividade, o que tem sido um objetivo crucial para a empresa.
Atualmente, o Safra mantém uma recomendação de venda (underperform) para as ações da BHIA3, com um preço-alvo de R$ 4,00 nos próximos doze meses, o que sinaliza um potencial de desvalorização de 1% em relação ao fechamento anterior. As análises e as possíveis reações do mercado a essas medidas indicam que a companhia está em um ponto crítico, e as decisões tomadas nas próximas semanas poderão determinar a trajetória futura das ações da Casas Bahia.

