Governo da Nicarágua e as alegações sobre Bíblias
Organizações cristãs ligadas ao governo da Nicarágua refutaram as alegações de que turistas estariam proibidos de entrar no país portando Bíblias. Essa declaração surge em resposta a relatos que indicavam restrições nas fronteiras e em terminais de transporte internacional. A controvérsia se intensificou após veículos de comunicação independentes e organizações internacionais relatam a barreira à entrada de materiais religiosos, como as Bíblias.
De acordo com informações do portal Café con Voz, a empresa de transporte Tica Bus colou avisos na Costa Rica, alertando que itens como Bíblias, jornais e revistas estariam proibidos de serem levados para a Nicarágua. A Christian Solidarity Worldwide (CSW) confirmou que funcionários da Tica Bus, em El Salvador e Honduras, corroboraram a mesma orientação sobre as restrições.
Respostas das Organizações Religiosas
Rebatendo as alegações, a Federação das Igrejas Evangélicas da Nicarágua (Fienic), a Convenção Batista da Nicarágua e a Conferência Evangélica Pentecostal das Assembleias de Deus divulgaram notas à imprensa, enfatizando que não existem restrições ao transporte ou à utilização de Bíblias no território nacional. A Fienic, por exemplo, deixou claro que “não há proibições que impeçam o transporte ou a distribuição da Bíblia”. A Convenção Batista, por sua vez, revelou que, entre 2024 e 2025, distribuiu cerca de 20 mil exemplares.
Além disso, as Assembleias de Deus informaram que importaram mais de 12,5 mil Bíblias somente neste ano, sem enfrentar nenhum obstáculo.
Contexto de Controle Religioso na Nicarágua
Essas declarações ocorrem em um cenário em que o controle estatal sobre as atividades religiosas tem se intensificado. Desde 2018, diversos líderes cristãos foram presos, e várias igrejas e instituições religiosas tiveram seus bens confiscados. Eventos religiosos passaram a enfrentar restrições cada vez mais severas.
Um dos casos mais notórios aconteceu em 2023, quando onze membros do Ministério Portão da Montanha foram condenados a penas de até 15 anos de prisão e tiveram seus bens apreendidos. Apesar das condenações, esses indivíduos foram libertados e posteriormente expulsos do país em 2024. Essas informações foram reportadas pelo portal EvangeliDigital, que acompanha de perto a situação religiosa na Nicarágua.

