Desafios e conquistas na segurança pública da Bahia
A segurança pública na Bahia, no encerramento de 2025, apresenta um quadro de contrastes. Apesar de os dados oficiais revelarem uma produtividade impressionante, com 18.676 prisões e uma redução de 28% nas mortes violentas em novembro, o Estado continua a enfrentar sérios desafios relacionados ao controle territorial por facções criminosas. Neste contexto, o ano foi marcado pelo fortalecimento das ações de inteligência policial, mesmo diante de crimes de grande repercussão social, como o assassinato de técnicos de internet em Salvador.
No balanço anual divulgado pela Polícia Civil no último dia 15, foram cumpridos 9.434 mandados de prisão e apreendidas 3.096 armas de fogo. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ações integradas foram cruciais para frear a curva de homicídios em várias regiões do Estado no último trimestre.
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) comentou sobre os investimentos em segurança, destacando que “o nosso compromisso com a paz social é inegociável”. Neste sentido, foram destinados R$ 46 milhões apenas para a Operação Verão, com o intuito de garantir a presença do Estado em todos os cantos da Bahia, integrando tecnologia e inteligência com o efetivo policial.
O paradoxo da violência e a repressão a facções
O ano de 2025 também foi assinalado pela ousadia de grupos criminosos, um dos principais obstáculos para a gestão de segurança pública. Casos como o assassinato de técnicos de internet em Salvador mobilizaram a estrutura de segurança e resultaram na formação de uma força-tarefa dedicada à identificação e prisão dos responsáveis.
Diante do cenário nacional de aumento da violência, especialmente após a operação mais letal já registrada no Brasil, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a SSP-BA intensificou suas operações contra facções no território baiano. O objetivo era asfixiar o núcleo financeiro do Comando Vermelho (CV), resultando no bloqueio de mais de R$ 6 bilhões durante as operações Primus e Freedom, que se estenderam para além das fronteiras da Bahia, atingindo São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
“Não podemos permitir que facções criminosas subjuguem o Estado ou aterrorizem nossas comunidades. Com o Policiamento Orientado pela Inteligência, sempre pautados pela legalidade, seguiremos aumentando a pressão sobre essas organizações”, declarou Marcelo Werner, secretário estadual de Segurança Pública.
Avanços na Polícia Civil e foco na recuperação de bens
Sob a liderança do delegado-geral André Viana, a Polícia Civil da Bahia fechou 2025 com uma reestruturação significativa em seu modelo investigativo. O Estado registrou um impressionante aumento de 131,2% na capacitação de servidores, com mais de 6.600 policiais formados nas novas técnicas de inteligência e ações táticas.
Conforme os dados apresentados, a PC-BA identificou 178 alvos relevantes ao longo do ano, incluindo 24 integrantes do Baralho do Crime, com operações que ultrapassaram as fronteiras estaduais, chegando até o Rio de Janeiro e São Paulo. Essa abordagem integrada é fundamental para combater as conexões nacionais do tráfico de drogas que afetam a criminalidade local.
“Durante estas operações, conseguimos identificar e apreender bens que serão submetidos à Justiça, e que, futuramente, poderão ser leiloados para ajudar no enfrentamento à criminalidade”, explicou André Viana.
Iniciativas de participação cidadã e novos projetos
Em dezembro, o governo estadual comemorou os 20 anos do Disque Denúncia da SSP-BA, um canal de participação cidadã essencial para o combate ao crime. Esse mecanismo foi vital para capturar foragidos, localizar desaparecidos e reforçou a importância do Baralho Lilás, que lançou 16 cartas de procurados por crimes contra mulheres.
Segundo Marcelo Werner, o Disque Denúncia possibilita que a população contribua de forma sigilosa, sendo crucial para o cumprimento dos 9.434 mandados de prisão registrados em 2025. O uso de plataformas digitais, como site e WhatsApp, facilitou o envio de provas audiovisuais, permitindo que a polícia agisse com precisão em áreas de risco elevado.
“O policiamento orientado pela inteligência se fortalece por meio do Disque Denúncia, que, de forma anônima e sigilosa, recebe informações sobre crimes e foragidos, além da busca por pessoas desaparecidas”, destacou o secretário.
Expectativas para 2026: investimentos em tecnologia e expansão no interior
As projeções para a segurança pública na Bahia em 2026 contemplam a descentralização da inteligência e um reforço operacional nas áreas internas do Estado. O planejamento do governador Jerônimo Rodrigues prevê a criação de Núcleos Regionais de Ações e o fortalecimento das operações aéreas, com a aquisição de aeronaves e hangar próprios.
De acordo com as informações do governo estadual, os investimentos em tecnologia devem ser ampliados com a construção do novo Complexo de Nazaré e a expansão do projeto Aqui Tem SAC, que levará serviços de polícia judiciária para regiões mais remotas. A estratégia é antecipar movimentos criminosos através da análise de dados e do monitoramento em tempo real.

