Reações dos Deputados da Bahia à Prisão de Maduro
O deputado estadual Alan Sanches, vice-líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), manifestou entusiasmo com a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e a subsequente prisão do presidente Nicolás Maduro. Para Sanches, essa é uma oportunidade de renovação para o povo venezuelano, que, segundo ele, há anos vive sob um regime autoritário e opressivo. “Finalmente, o povo venezuelano vai começar uma nova história”, declarou, ressaltando os anos de sofrimento causados pela gestão de Maduro, marcada pela crise econômica e pela repressão política.
O deputado também lembrou que Maduro nunca foi eleito de forma legítima, apontando uma série de fraudes eleitorais que têm sido amplamente denunciadas pela comunidade internacional. “Maduro, na verdade, é um ditador disfarçado de presidente, sustentado por eleições fraudulentas. A Constituição da Venezuela foi utilizada para justificar essa ditadura”, afirmou.
Sanches acredita que a recente alteração no comando do país poderá abrir caminho para um novo ciclo democrático. “Graças a Deus, os Estados Unidos retiraram esse monstro do poder e espero que comece um novo tempo para o povo venezuelano, com uma nova democracia, levando uma vida mais digna e feliz ao seu povo”, completou.
Críticas à Narrativa Antimperialista
Por outro lado, o líder da oposição na AL-BA, Tiago Correia (PSDB), também elogiou a prisão de Maduro, descrevendo-a como um marco na reafirmação dos valores democráticos na América Latina. “Não se trata de um ataque à soberania de um país, como algumas narrativas ideológicas tentam fazer crer, mas sim de uma resposta a um regime que sistematicamente desmantelou o Estado Democrático de Direito na Venezuela”, disse Correia.
Ele argumentou que a verdadeira agressão à soberania do país veio de dentro, com um governante que sobrepôs sua vontade às instituições e à lei. “A falta de eleições livres, o controle do Judiciário e a repressão à liberdade de imprensa transformaram a Venezuela em um exemplo claro de como os regimes autoritários corroem a democracia por dentro”, afirmou.
Correndo contra a narrativa de que as ações contra ditaduras são ataques aos povos latino-americanos, Correia destacou que “ditaduras não representam seus povos, mas sim interesses pessoais baseados na força e na opressão”. Para ele, o sofrimento da população venezuelana, manifestado pela emigração em massa e pelo colapso econômico, é uma consequência direta desse modelo autoritário.
O Cenário Regional e as Implicações para a Democracia
Correia também alertou para o risco de que esse tipo de arranjo político não fique restrito às fronteiras da Venezuela. “Isso se insere em um contexto mais amplo que busca normalizar o enfraquecimento das instituições democráticas em toda a América do Sul”, advertiu.
Ele fez uma defesa vigorosa dos princípios democráticos, argumentando que celebrar a queda de um regime autoritário não deve ser confundido com uma celebração de intervenções externas, mas sim com a defesa da liberdade e do respeito às leis. “A democracia não pode ser refém da vontade de um indivíduo e não deve ser relativizada em prol de projetos que geram miséria e opressão”, concluiu.
Solidariedade de Hilton Coelho ao Povo Venezuelano
Em contraste, o deputado Hilton Coelho (PSOL) expressou solidariedade ao povo da Venezuela, considerando a ação dos EUA como um “ataque imperialista” que viola o direito à autodeterminação. Coelho afirmou que a situação na Venezuela não é um evento isolado, mas parte de uma nova ofensiva imperialista na América Latina. “Se os Estados Unidos não forem contidos, nenhuma democracia estará segura”, alertou.
Coelho enfatizou que a Venezuela não deve ser vista como um alvo legítimo de agressão externa. “A autodeterminação dos povos é um princípio inegociável do direito internacional e não pode ser usado como moeda de troca”, declarou. Ele também pediu transparência e provas concretas sobre a situação política no país, incluindo a integridade de Maduro e sua esposa.
Finalizando, Coelho pediu ao governo brasileiro que tome medidas urgentes em prol da Venezuela, destacando que “defender a soberania da Venezuela é afirmar que nenhum país deve impor governos a outro”. Ele concluiu com uma mensagem de resistência, enfatizando que a história mostra que impérios não são eternos e que os povos sempre resistem.

