Conjuntura Econômica Favorável como Pilar da Campanha do Presidente
A economia se firmou como uma das principais estratégias do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para conquistar a confiança do eleitorado nas eleições de 2026. Ao terminar 2025, Lula vislumbra que os dados econômicos do Brasil servirão como base sólida para sua campanha à reeleição. Com a taxa de desemprego atingindo um recorde histórico de 5,2%, além de um crescimento econômico superior a 2% e isenção no Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil, o governo tem promovido a narrativa de um país em recuperação e com distribuição de renda. “Temos os menores índices de pobreza e desigualdade da história”, declarou Lula em seu discurso de Natal.
Num cenário marcado por intensa polarização política, a avaliação no Palácio do Planalto indica que a escolha dos eleitores se baseará menos em disputas ideológicas e mais na percepção de melhorias reais nas condições de vida. Assim, a redução do custo de vida, a manutenção do emprego, o aumento da renda e o acesso ao crédito emergem como elementos centrais na estratégia para persuadir o eleitor a optar pelo número 13 nas urnas.
Indicadores Econômicos Positivos
Os dados mais recentes fornecem ao governo um arsenal de argumentos favoráveis. A inflação de 2025, que deve se manter em torno de 4,32% segundo o último Boletim Focus, continua controlada, dentro da meta estipulada, mesmo após um prolongado período de juros elevados. De acordo com o economista Vinicius do Carmo, apesar dos problemas estruturais que o Brasil ainda enfrenta, a situação atual não se aproxima de uma desorganização macroeconômica. Ele acredita que a política monetária rigorosa, mantida mesmo após a mudança na presidência do Banco Central, foi crucial para estabilizar as expectativas e garantir a estabilidade econômica, ainda que isso implique custos ao crescimento no curto prazo.
O economista Armando Avena, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), também compartilha uma visão otimista, considerando 2025 como um ano positivo para a economia. “O início do ano trouxe previsões de crise fiscal, mas isso não se concretizou. O arcabouço fiscal se mostrou efetivo em 2025. A inflação voltou ao teto da meta, e a taxa de desemprego é a mais baixa da história”, destacou Avena.
Transformações no Mercado de Trabalho
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos reforça a narrativa do governo, mesmo diante de análises que apontam para uma possível insustentabilidade do modelo fiscal atual. Outro dado positivo é a renda média mensal, que alcançou R$ 3.457, outro recorde. No entanto, especialistas alertam para as transformações no mercado de trabalho, que revelam uma crescente informalidade e a combinação de empregos autônomos com transferências de renda. Esse novo perfil pode aumentar a autonomia dos trabalhadores, mas também desafia o tradicional modelo de proteção social, como o sistema previdenciário.
A Isenção do Imposto de Renda como Pilar da Campanha
Entre os principais pilares da estratégia eleitoral do governo, a agenda social e tributária destaca-se pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que impacta diretamente o orçamento das famílias de baixa renda. Essa medida já está em vigor e deve beneficiar cerca de 15 milhões de brasileiros, movimentando R$ 28 bilhões na economia com reflexo nas folhas de pagamento a partir do próximo mês. Para Vinicius do Carmo, apesar de não corrigir a tabela do IR de forma histórica, a ação avança em direção à justiça tributária e pode ser capitalizada politicamente de forma eficaz.
Além da isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais, o projeto inclui reduções para aqueles que ganham até R$ 7.350. A professora Juliana Furno, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), acredita que essa estratégia será fundamental para conquistar a reeleição de Lula. “Ao focar no grupo que ganha entre dois e cinco salários mínimos, que tradicionalmente não era beneficiado, ele acerta ao ampliar seu alcance eleitoral”, analisou.
Desafios da Política Fiscal
Embora a conjuntura econômica seja apresentada pelo governo como favorável, economistas divergem sobre os custos dessa abordagem e alertam que a gestão fiscal pode levar a um déficit nas contas públicas a partir de 2027, independentemente do resultado eleitoral. O professor André Sacconato, da Universidade de São Paulo (USP), critica a estratégia do governo, que parece priorizar programas sociais como o Bolsa Família e o Gás do Povo, alertando que essa abordagem pode ter consequências negativas a longo prazo. “Em um cenário de pleno emprego, como o atual, os resultados podem ser positivos a curto prazo, mas a conta pode ser muito maior no futuro”, observou Sacconato.
Projeções e Expectativas para 2026
Para o economista César Bergo, da Universidade de Brasília (UnB), a previsão para 2026 não será simples, com um crescimento moderado em torno de 2%, possivelmente inferior ao de 2025. Ele sugere que o governo deve concentrar esforços em políticas que sustentem a demanda interna, como o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a ampliação do crédito. A isenção do IR deve estimular o consumo das famílias, embora com intensidade reduzida. O setor de serviços deve continuar sendo o motor do crescimento, enquanto a indústria enfrenta desafios, em grande parte devido ao alto custo do crédito. Nesse contexto, a pressão do governo por uma redução nas taxas de juros e por uma previsão fiscal mais clara deve se intensificar, delineando as estratégias a serem adotadas conforme se aproxima a eleição.

