A Revolução do Rap na Bahia
A Bahia se destaca como um verdadeiro celeiro de talentos musicais, especialmente no cenário do rap. Em 2025, o estado consolidou a carreira de vários artistas que seguem as tendências e ritmos do momento. Um desses exemplos é Alee, um rapper de 24 anos natural de Camaçari, que ganhou notoriedade com seu álbum de estreia, Caos, lançado no ano passado. O single Tudo de Novo, uma colaboração com Filipe Ret, se tornou um dos mais populares nas plataformas de streaming, capturando a essência do que é ser rapper na Bahia.
Em entrevista ao Metrópoles, Alee destacou não apenas sua trajetória, mas também a importância cultural da Bahia para a música nacional. “Para mim, a Bahia sempre foi um grande polo cultural. Tanto no rap, como na música em geral. O Nordeste, atualmente, tem talentos de topo no rap e também no trap. O sotaque e o estilo de vida aqui são diferenciais que ajudam a moldar nossa contribuição musical”, afirmou o artista, com entusiasmo.
Desafios e Oportunidades na Cena Musical
No entanto, Alee não esconde sua preocupação em relação ao suporte que a cena musical baiana ainda carece. ZAM, uma promissora figura do rap que atualmente reside em São Paulo, compartilha dessa visão ao afirmar que o reconhecimento e a estrutura necessários para impulsionar os artistas baianos ainda são escassos. “Apesar de termos muitos artistas talentosos e originais, ainda falta uma estrutura comercial que possa dar suporte para propagar esses talentos e construir uma cena própria”, lamentou ZAM.
Essa visão é corroborada por dados da 2ª edição da Pesquisa Bastidores do Hip Hop, realizada pela Dinastia Sabah, que revela um fenômeno migratório significativo. Um em cada três artistas de rap e trap está considerando se mudar para centros como Rio de Janeiro e São Paulo, em busca de oportunidades que possam alavancar suas carreiras.
Histórias de Superação e Migração
Klisman, um artista com sete anos de carreira e sucessos como Party e Pagão, é um exemplo de quem precisou buscar reconhecimento fora do seu estado natal. “É como se fôssemos parte de um time de futebol sem estrutura e precisássemos ser transferidos para um time maior para crescer”, reflete Klisman sobre a dura realidade enfrentada pelos rappers baianos.
Alee, seguindo o mesmo caminho de Klisman, recentemente firmou um contrato com a produtora de Filipe Ret, vislumbrando expandir seu trabalho para além das fronteiras baianas, com foco em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Esta decisão indica uma estratégia clara para aumentar sua visibilidade e alcançar um público mais amplo.
Êxitos Locais e a Esperança de Permanência
Apesar do desvio de muitos artistas para outros estados, a Bahia ainda abriga talentos que conquistam reconhecimento nacional. Um exemplo notável é Duquesa, a rapper de Feira de Santana, que se consolidou como uma expoente feminina do gênero. Com lançamentos de álbuns de sucesso como SIX e Taurus Vol. 2, Duquesa mostra que é possível brilhar no cenário nacional enquanto permanece em sua terra natal.
A trajetória dela pode servir como um reflexo positivo para que, no futuro, mais artistas baianos possam se estabelecer no estado, trazendo a cena do rap e do trap para um novo patamar. É um verdadeiro chamado à ação para que a Bahia, com seu rico patrimônio cultural, possa se tornar um ponto de referência também no hip hop brasileiro.

