Críticas à Publicidade do Governo do Estado
Na sessão da Câmara Municipal realizada ontem (6), o vereador Téo Senna (PSDB), que ocupa a posição de vice-líder do prefeito Bruno Reis, fez um contundente pronunciamento sobre a situação dos equipamentos públicos em Salvador. Armado com cartazes ilustrativos, o edil criticou a propaganda do Governo do Estado que celebra os 477 anos da cidade, afirmando que a publicidade apresenta uma distorção da realidade, enquanto muitos equipamentos permanecem em estado de abandono.
Senna chamou atenção para a quantidade excessiva de outdoors instalados pela gestão estadual e questionou a prioridade dada a esses investimentos em comunicação. “A melhor secretaria do Governo do Estado é a de Comunicação. Sabe fazer propaganda. Mas, na prática, o que se vê é abandono por toda parte”, enfatizou, ressaltando sua preocupação com o estado de locais fundamentais para a educação, cultura e economia da capital.
Durante seu discurso, o vereador passou a listar evidências do descaso, mencionando instituições como o Colégio Estadual Odorico Tavares, localizado no Corredor da Vitória, e o antigo Colégio Landulfo Alves, na Água de Meninos, ambos fechados ou invadidos. Ele também destacou o teatro do Instituto Central de Educação Isaías Alves (Iceia), que, segundo suas informações, encontra-se inativo há mais de dez anos, e o complexo de restaurantes no Parque Costa Azul, que ele classificou como abandonado há anos.
Casos de Abandono Prolongado
Além das instituições educacionais, Senna trouxe à tona outros imóveis que evidenciam o descaso, como a sede da Junta Comercial do Estado (Juceb), o Instituto do Cacau, a antiga Casa de Castro Alves, em Brotas, e a área do Detran, além da antiga rodoviária e do Centro de Convenções da Bahia. Para o vereador, essas situações não são recentes, mas sim um reflexo de um padrão de abandono que se estende por anos. “Não é de agora. São cinco, dez, quinze anos de descaso. A cidade real não aparece nos outdoors”, afirmou, pedindo uma reflexão sobre a realidade enfrentada pelos cidadãos.
Com essa postura, Senna busca não apenas expor a situação lamentável dos equipamentos públicos, mas também cobrar responsabilidade do governo estadual, que, em sua visão, prioriza a imagem em detrimento do bem-estar da população. A crítica à gestão da comunicação do governo é um chamado à atenção para que a população não se esqueça dos problemas enfrentados no cotidiano, que muitas vezes ficam ofuscados pela publicidade.
Esse incidente ressalta uma questão fundamental: a necessidade de transparência e eficácia na gestão pública relacionada a bens e serviços que são de responsabilidade do estado. O vereador Téo Senna, ao trazer à tona essas questões, propõe um debate necessário sobre a real condição dos equipamentos públicos e a responsabilidade dos gestores em cuidar do patrimônio e da infraestrutura da cidade.
O caso levanta reflexões sobre a importância da fiscalização e da cobrança por parte dos representantes da sociedade civil, especialmente em tempos onde a comunicação e a imagem pública parecem ser priorizadas em detrimento da realidade encontrada nas comunidades. Assim, a crítica feita por Senna ganha relevância ao convocar a sociedade a se atentar para o que realmente ocorre nas ruas de Salvador.

