A Última Mensagem de Uma Passageira
No dia 6 de janeiro, um trágico acidente envolvendo um ônibus na BR-365, que liga Varjão de Minas a Patos de Minas, resultou na morte de seis pessoas. Entre os passageiros, Lidiane da Rocha enviou um áudio à sua filha, Dara Rocha, relatando a falta de espaço no veículo, onde muitos estavam em pé devido à superlotação. A situação foi complicada ainda mais pela troca do ônibus original, que apresentava problemas mecânicos durante a viagem de excursão para Salvador (BA). “O ônibus que arrumaram é pequeno, não tinha lugar para todo mundo. Tem gente no meio do corredor, acho que umas quatro pessoas, que vão em pé. Mas já estamos a caminho, graças a Deus”, descreveu Lidiane em sua mensagem.
Infelizmente, o que deveria ser um retorno tranquilo se transformou em tragédia. O ônibus capotou após derrapar na pista, e, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), não havia passageiros em assentos no momento do acidente, pois o veículo estava superlotado. Lidiane, que estava ansiosa por retornar ao lar, não sobreviveu ao acidente, apesar de seus esforços para tranquilizar a família.
Contexto do Acidente
O acidente ocorreu por volta das 10h, a cerca de 30 quilômetros de Patos de Minas. De acordo com o Corpo de Bombeiros, 53 pessoas estavam a bordo, incluindo o motorista e o ajudante. Das vítimas, cinco faleceram ainda no local, e um sexto passageiro não resistiu aos ferimentos após ser socorrido e levado para a Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas.
Além da tragédia, o que se sabe é que a excursão apresentava problemas desde o início. Em outro áudio, Lidiane mencionou que a agência China Excursões e Eventos havia substituído o ônibus devido a quebras mecânicas já no trajeto para Salvador. “Na ida, o motorista chegou a tentar consertar o ônibus, mas não encontrou ajuda suficiente. Após mais problemas, o ônibus foi consertado rapidamente, mas eu senti que era uma gambiarra”, afirmou Lidiane, demonstrando preocupação com a situação do veículo.
Famílias e Consequências
Entre os passageiros, havia 16 membros da mesma família. Uma parente contou que foi informada do acidente por uma prima que conseguiu escapar com ferimentos leves. “Ao todo, 16 familiares estavam no ônibus e tiveram apenas ferimentos leves. Uma prima ficou presa às ferragens, e ainda não temos informações sobre seu estado de saúde”, disse a mulher.
A situação gerou atenção não apenas entre os familiares, mas também entre as autoridades. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou que o veículo envolvido estava regular e apto para o transporte interesse, mas a viagem específica não atendia a todos os requisitos regulatórios necessários. Além disso, a China Excursões e Eventos não está cadastrada no Ministério do Turismo, o que levanta questões sobre a legalidade da operação.
Investigação e Reações
Após o acidente, o Procon de Patos de Minas anunciou a abertura de um inquérito para apurar as condições do transporte pela empresa. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social está em busca de contato com as vítimas que receberam alta hospitalar e não têm onde ficar.
A PRF também iniciou um inquérito para investigar as causas do capotamento. Um dos passageiros, que estava no ônibus, relatou: “O ônibus apresentou um barulho, e em segundos, percebemos que já havia tombado”. A busca por respostas e a responsabilização pelas condições do acidente tornam-se cada vez mais urgentes, especialmente para as famílias afetadas pela tragédia que, além da dor, enfrentam a incerteza sobre o futuro.

